domingo, 25 de outubro de 2026
Eleições 2026

Pedidos de prisão por ônibus no 2º turno: o que a Justiça já decidiu

Justiça Eleitoral mandou prender secretário em Salvador e liberar a frota; em São Paulo, multa de R$ 100 mil a Nunes e à SPTrans. Ordens e efeitos reais seguem em aberto.

Por Redação Use a Lógica
Produzida com apoio de inteligência artificial, a partir das fontes listadas, com checagem e revisão automáticas.
6 min de leitura 3 fontes
Parcialmente confirmado

Parte das informações foi confirmada; o restante segue em apuração e está sinalizado no texto. O que checamos · Ver fontes · Como checamos

Fachada do Fórum Eleitoral do Tribunal Regional Eleitoral da Bahia em Feira de Santana
Fórum Eleitoral do TRE-BA em Feira de Santana (foto de arquivo, 2009) Foto: Andrevruas (CC BY 3.0), via Wikimedia Commons

Rui Costa afirmou que o PT vai pedir a prisão do prefeito de Salvador, Bruno Reis (União), pela falta de ônibus no segundo turno. A declaração levou para o campo jurídico um episódio que já havia chegado à Justiça Eleitoral em duas capitais, e o que se confirma até aqui é mais estreito do que o tom da disputa sugere.

A checagem confirma duas decisões: o TRE-BA mandou prender em flagrante o secretário municipal de Mobilidade de Salvador, Pablo Souza, e liberar 100% da frota; e a Justiça Eleitoral de São Paulo fixou multa de R$ 100 mil ao prefeito Ricardo Nunes e ao presidente da SPTrans por descumprimento injustificado. Não se confirma que a ordem de prisão em Salvador tenha sido cumprida, nem que exista decisão judicial contra o prefeito Bruno Reis.

O que se confirma

Em Salvador, a decisão assinada às 13h15 de domingo determinou a prisão em flagrante de Pablo Souza por retenção de ônibus nas garagens e ordenou a saída imediata de toda a frota, com frequência e itinerários de dias úteis e transporte gratuito até o fim da votação e o retorno dos eleitores. A Folha de S.Paulo e a Exame relatam os mesmos termos.

Fachada do edifício do Tribunal Superior Eleitoral, em BrasíliaLeia tambémVotação pode ser estendida até as 19h? Falta uma decisão

Em São Paulo, Folha e Exame confirmam a multa individual de R$ 100 mil a Ricardo Nunes e ao presidente da SPTrans em caso de descumprimento injustificado. O texto advertiu que a desobediência pode configurar crime eleitoral, além de responsabilização civil e administrativa — ou seja, o descumprimento da frota mínima tem consequência jurídica prevista tanto para o prefeito quanto para o dirigente do órgão de transporte.

A prefeitura paulistana divulgou nota em que confirma o acatamento: "A Prefeitura, a Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana e Transporte (SMT) e a SPTrans cumprirão a determinação judicial, ainda que desnecessária, e já comunicou às concessionárias. Agora, elas têm menos de 12 horas para mobilizar sua mão de obra e localizar mais de 10 mil trabalhadores e tirá-los de seu direito à folga, colocando em risco inclusive seu direito ao voto, já que o escalonamento já havia sido programado".

O que não está confirmado

Nenhuma fonte independente consultada sustenta os detalhes mais citados da decisão baiana: prazo de uma hora para comprovar o cumprimento, multa de R$ 1 milhão por hora de atraso, fiscalização das garagens e envio do caso às autoridades para apuração de crimes eleitorais. Os valores circularam, mas não se confirmaram na apuração.

O pedido de prisão do prefeito Bruno Reis aparece em uma única fonte. A Folha de S.Paulo publicou que o PT o protocolou, mas nenhum outro veículo consultado confirma — e a decisão do TRE-BA mirou o secretário Pablo Souza, não o prefeito.

Em São Paulo, os veículos divergem sobre quem pediu a prisão e de quem. A CNN Brasil atribuiu o anúncio a Guilherme Boulos (PSOL), que declarou: "Já há o precedente de Salvador. Não vão impedir o povo de votar com golpe baixo!". Folha e Exame atribuíram o pedido à campanha de Lula, com alvos diferentes: o secretário Celso Jorge Caldeira e o presidente da SPTrans, Victor Hugo Borges. Não está claro se a Justiça Eleitoral já analisou esse pedido.

O percentual da frota paulistana também não fecha. A coligação de Lula alegou operação de 60%; dados do aplicativo Infobus citados pelo Metrópoles indicavam 71,7% às 13h20, com 3.898 dos 13.790 ônibus parados — número de uma só fonte. A SPTrans disse à Folha ter sido notificada às 13h10 do sábado e ter repassado a ordem às concessionárias às 13h32, alegando que o intervalo inferior a 12 horas dificultou a reorganização de escalas.

Já o TRE-SP informou, segundo a CNN Brasil, que "a eleição está transcorrendo normalmente e os eleitores estão chegando aos seus locais de votação", recomendando denúncia ao Ministério Público Eleitoral a quem tiver dificuldade. Não localizamos registro independente de que Ricardo Nunes tenha negado falta de ônibus e atribuído o episódio a aliados do presidente.

Sobre a versão baiana, a Folha publicou que Bruno Reis atribuiu os atrasos a sindicalistas que colaram adesivos do PT nas janelas dos ônibus, o que seria crime, e dirigiu um insulto a Rui Costa. Nenhum outro veículo consultado confirma a declaração.

O pedido de extensão do horário de votação também vem de uma única fonte. A Folha relata a solicitação, feita pelo coordenador da campanha de Lula, Marco Aurélio de Carvalho: "Vamos pedir a extensão do prazo para votação para garantir o direito sagrado de voto a todo e qualquer brasileiro". O TSE não se manifestou sobre o tema até a publicação desta matéria.

Contexto

A exigência de frota com frequência de dias úteis nos dias de votação tem base na Resolução TSE 23.751/2026, citada na decisão de São Paulo. A ação que originou o caso paulista foi uma ação popular de parlamentares do PSOL, e a capital tem tarifa de ônibus gratuita aos domingos pelo programa Domingão Tarifa Zero. Em Salvador, a Federação Brasil da Esperança (PT, PCdoB e PV) acionou a Justiça Eleitoral contra o prefeito e representantes das empresas de transporte. Não há condenação de nenhum dos envolvidos; as decisões tratam de obrigações e sanções processuais.

O que ainda não se sabe

Faltam respostas sobre o efeito prático. Não há confirmação de que a ordem de prisão do secretário Pablo Souza tenha sido cumprida nem levantamento consolidado de quantos eleitores efetivamente deixaram de votar por causa da redução de ônibus. Também não há posição do TSE sobre os pedidos de prisão ou sobre a extensão do horário, e não está claro o desfecho da disputa sobre os adesivos nas garagens de Salvador.

O que checamos

Cada afirmação desta matéria foi conferida em fontes independentes antes da publicação.

2 confirmado7 só uma fonte3 versões divergem2 sem prova
  1. Confirmado

    O TRE-BA determinou, em decisão assinada às 13h15 de domingo, a prisão em flagrante do secretário municipal de Mobilidade de Salvador, Pablo Souza, por retenção de ônibus nas garagens, e ordenou a liberação imediata de 100% da frota, com frequência e itinerários de dias úteis e transporte gratuito até o fim da votação e o retorno dos eleitores.

    Fontes: Folha de S.Paulo, Exame · O núcleo (prisão de Pablo Souza e liberação de 100% da frota) aparece em Folha e Exame. Detalhes como horário e gratuidade não foram encontrados nos textos fornecidos.
  2. Sem prova

    A decisão do TRE-BA fixou prazo de uma hora após a notificação para comprovar o cumprimento, sob multa de R$ 1 milhão por hora de descumprimento, e previu fiscalização das garagens e envio do caso às autoridades para apuração de possíveis crimes eleitorais.

    Nenhuma fonte sustenta · Não encontrada nos textos fornecidos.
  3. Só uma fonte

    O pedido de prisão do prefeito de Salvador, Bruno Reis (União), foi feito pelo PT, segundo a Folha; a decisão do TRE-BA, porém, determinou a prisão do secretário Pablo Souza, não do prefeito.

    Fontes: Folha de S.Paulo · A decisão pela prisão do secretário é confirmada por Folha e Exame, mas o pedido de prisão do prefeito aparece apenas na Folha.
  4. Versões divergem

    Em São Paulo, o juiz Tiago Ducatti Machado, da 1ª Zona Eleitoral, determinou no sábado que a cidade operasse 100% da frota de ônibus no domingo, com base na Resolução TSE 23.751/2026, que exige transporte coletivo com frequência de dias úteis nos dias de votação.

    Fontes: CNN Brasil, Folha de S.Paulo, Exame · A decisão em si é confirmada, mas as fontes divergem sobre a data: CNN e Exame dizem sábado (24), enquanto a Folha menciona sexta-feira (23).
  5. Confirmado

    A decisão em São Paulo fixou multa individual de R$ 100 mil ao prefeito Ricardo Nunes e ao presidente da SPTrans em caso de descumprimento injustificado, e advertiu que a desobediência pode configurar crime eleitoral, além de responsabilização civil e administrativa.

    Fontes: Folha de S.Paulo, Exame · Folha e Exame confirmam a multa e a advertência de crime eleitoral; a responsabilização civil e administrativa é citada apenas pela Folha.

Fontes consultadas 3

  1. 1CNN BrasilBoulos diz que vai pedir prisão de Ricardo Nunes por falta de ônibus em SPcnnbrasil.com.br
  2. 2Folha de S.PauloMônica Bergamo: PT pede prisão de secretário de Ricardo Nunes por falta de ônibus em SP nas eleiçõeswww1.folha.uol.com.br
  3. 3ExamePedido de prisão em Salvador e ação contra Nunes: o que se sabe sobre a falta de ônibus no 2º turnoexame.com

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