Saudação nazista no Rio já tem crime definido pela polícia?
Ela foi filmada na saída do colégio em Botafogo e disse "pior ainda" a um homem judeu. A polícia investiga, mas a tipificação do crime ainda está aberta.
Informações confirmadas em 4 fontes independentes. O que checamos · Ver fontes · Como checamos

Uma eleitora foi filmada erguendo o braço direito com a mão aberta — gesto historicamente associado ao nazismo — ao deixar o Colégio Santo Inácio, em Botafogo, na zona sul do Rio, no fim da manhã de domingo (25), dia do 2º turno. Pessoas que presenciaram a cena a questionaram; ela então perguntou se eram comunistas e, ao ouvir de um homem que ele era judeu, respondeu “pior ainda”. O caso foi registrado na 10ª Delegacia de Polícia (Botafogo) e a Polícia Civil afirma que diligências estão em curso. O que ainda não existe é identificação pública da mulher, conclusão de inquérito ou definição oficial da tipificação.
O que se confirma
O g1, a CartaCapital, o Terra e o Metrópoles descrevem o mesmo episódio, no mesmo local e horário, com o mesmo gesto — o braço direito estendido e a mão aberta na saída do colégio onde a eleitora havia votado. Confirmamos também que ela usava um boné do movimento Maga, sigla de “Make America Great Again”, e camiseta verde e amarela.
As testemunhas relataram o teor do bate-boca. A eleitora aparece perguntando “Você não é comunista?” e “E você é o quê? É comunista?”. O homem responde: “Não sou comunista, sou judeu”. A tréplica, “pior ainda”, é registrada pelo g1, pela CartaCapital e pelo Metrópoles.
Leia tambémDuas horas a mais para votar: o que muda neste domingoA Polícia Civil confirmou o registro na 10ª DP e informou que diligências estão em andamento. O g1 e o Metrópoles também confirmam que, até a última atualização das reportagens, a mulher não havia sido identificada.
O que não está confirmado
A classificação do caso diverge entre os veículos. A CartaCapital publicou que a ocorrência foi registrada como injúria por preconceito, com base em informações da Polícia Civil; o Metrópoles afirma que a eleitora é investigada por apologia ao nazismo. Nenhuma das duas versões foi confirmada por nota oficial reproduzida pelos demais veículos consultados. O g1, que confirma o registro policial, não detalha a classificação.
O enquadramento na Lei do Racismo aparece em apenas um veículo. A CartaCapital informou que a saudação e o uso de símbolos nazistas podem ser enquadrados na Lei nº 7.716/1989, cujo artigo 20, parágrafo 1º, prevê reclusão de dois a cinco anos e multa para quem fabricar, comercializar, distribuir ou veicular símbolos ou propaganda que utilizem a suástica para divulgar o nazismo. Nenhuma outra fonte consultada confirma que esse seja o caminho adotado pelas autoridades.
A nota da Federação Israelita do Estado do Rio de Janeiro (FIERJ) foi divulgada pelo g1 e não aparece nas demais reportagens consultadas. No texto, a entidade afirma que “o caso foi levado ao conhecimento das autoridades policiais” e que acompanhará a apuração. Sobre o gesto, diz: “Trata-se de uma manifestação absolutamente inaceitável, que ultrapassa os limites da liberdade de expressão e afronta os valores democráticos, a dignidade humana e a memória das milhões de vítimas do nazismo.”
Já o movimento Judeus pela Democracia é citado apenas pelo Terra, que relata a circulação do vídeo nas redes e o repúdio da entidade, com referência à disputa presidencial. O g1 não menciona esse movimento; nenhuma outra fonte independente sustenta a informação.
Duas informações aparecem só na CartaCapital e não foram confirmadas em outras apurações: a presença de dois policiais militares no vídeo que, segundo o veículo, nada fizeram; e a foto feita em Grajaú, no Maranhão, em carreata de apoio a Flávio Bolsonaro na noite de sábado (24), com jovens em camisetas com referências ao nazismo e ao fascismo. O g1 registra ainda que não se sabe como o bate-boca começou — ponto não tratado pelos demais veículos.
Contexto
A saudação consiste em levantar o braço direito estendido, com a palma voltada para baixo, e era usada por integrantes e apoiadores do regime de Adolf Hitler, no poder de 1933 a 1945, dado confirmado pelo g1 e pelo Terra. Após a Segunda Guerra Mundial, o gesto passou a ser associado ao neonazismo e a movimentos de supremacia branca; na Alemanha, é proibido por lei. O g1 e o Terra também confirmam a cifra de cerca de 6 milhões de judeus assassinados no Holocausto.
O boné Maga remete ao slogan popularizado na campanha de Donald Trump em 2016. A camiseta verde e amarela é descrita de formas diferentes: o g1 e o Metrópoles falam em camisa da Seleção; a CartaCapital e o Terra falam em camiseta com a frase “Meu Partido É o Brasil”, que, segundo a CartaCapital, se popularizou entre apoiadores de Jair Bolsonaro em 2018. A cor do boné também varia: o g1 o descreve como boné do Maga; a CartaCapital e o Metrópoles, como vermelho.
O episódio ocorreu no dia do 2º turno da eleição presidencial, disputada entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL).
O que ainda não se sabe
- Quem é a mulher filmada — a identidade não foi divulgada.
- Como a discussão começou.
- Em que fase está a apuração: se há inquérito instaurado, prazos ou indiciamento.
- Qual será a tipificação final definida pelas autoridades.
- Se o boné e o local de votação indicam motivação política organizada ou ato isolado.
- Se houve outros registros semelhantes de discurso de ódio no 2º turno e qual a orientação do TSE para denúncias.
- Se a Justiça Eleitoral adotou alguma providência além do registro policial.
A Polícia Civil não informou prazo para concluir as diligências. Procuradas, as autoridades não detalharam os próximos passos até a publicação desta checagem.
O que checamos
Cada afirmação desta matéria foi conferida em fontes independentes antes da publicação.
- Confirmado
Uma mulher foi filmada erguendo o braço direito estendido, com a mão aberta, em gesto historicamente associado ao regime nazista, ao deixar o Colégio Santo Inácio, em Botafogo, na zona sul do Rio, no fim da manhã de domingo (25), dia do 2º turno.
Fontes: g1, CartaCapital, Terra, Metrópoles · Todas as fontes descrevem o gesto e o local. - Confirmado
A eleitora usava boné vermelho do movimento Maga (Make America Great Again), ligado a Donald Trump, e camiseta verde e amarela; em algumas descrições, a camisa é da Seleção e, em outras, traz a frase 'Meu Partido É o Brasil'.
Fontes: g1, CartaCapital, Terra, Metrópoles · Todas confirmam boné e camiseta; descrição da camiseta varia entre camisa da seleção e com frase, como indicado. - Confirmado
Pessoas presentes questionaram o gesto; a mulher perguntou se eram comunistas e, ao ouvir de um homem que ele era judeu, respondeu 'pior ainda'.
Fontes: g1, CartaCapital, Metrópoles · g1 e CartaCapital confirmam a resposta 'pior ainda'; Metrópoles relata a pergunta e a identificação do homem como judeu, mas não cita a resposta. - Confirmado
O caso foi registrado na 10ª Delegacia de Polícia (Botafogo), e a Polícia Civil informou que diligências estão em andamento para apurar os fatos.
Fontes: g1, CartaCapital, Metrópoles · g1, CartaCapital e Metrópoles confirmam registro e diligências. - Versões divergem
A ocorrência foi registrada como injúria por preconceito, segundo a Polícia Civil, e a eleitora é investigada por apologia ao nazismo.
Fontes: CartaCapital, Metrópoles · CartaCapital diz registro como injúria por preconceito; Metrópoles diz investigada por apologia ao nazismo. As fontes divergem na tipificação oficial.
Fontes consultadas 4
- 1g1VÍDEO: eleitores denunciam mulher fazendo saudação nazista após votar no Riog1.globo.com
- 2CartaCapitalEleitora faz saudação nazista após votar no Rio e questiona homem judeu: ‘Pior ainda’cartacapital.com.br
- 3TerraCom boné pró-Trump, mulher faz saudação nazista em escola no Rio; entidade judaica repudia atoterra.com.br
- 4MetrópolesEleitora faz saudação nazista e é investigada no Rio de Janeirometropoles.com
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