Gaspar tem laços com Collor e Calheiros, mas influência em votos não tem registro
Confirmamos a passagem de Gaspar pela Segurança de Alagoas, a eleição em 2022 e a filiação ao PL; os laços com Collor e Calheiros e sua influência em votações não têm registro público.
Parte das informações foi confirmada; o restante segue em apuração e está sinalizado no texto. O que checamos · Ver fontes · Como checamos

O anúncio de Alfredo Gaspar (PL-AL) como vice de Flávio Bolsonaro, feito menos de 24 horas antes da apresentação da chapa, levou ao centro do noticiário um deputado de primeiro mandato cuja trajetória em Alagoas se cruza com famílias políticas tradicionais do estado. A checagem confirma três pontos centrais da biografia que circula: o comando da Secretaria de Segurança Pública no governo Renan Filho, a eleição para a Câmara em 2022 e a filiação ao PL a convite de Flávio. Não há, porém, registro público consultado que comprove que as ligações com Collor e com os Calheiros tenham se convertido em influência mensurável em votações do Congresso.
O que se confirma
A Folha de S.Paulo e o g1 confirmam que Gaspar chefiou a Secretaria de Segurança Pública de Alagoas na gestão de Renan Filho (MDB) e deixou o posto para disputar a Câmara em 2022. Os dois veículos também confirmam que ele se elegeu deputado federal pelo União Brasil, foi um dos mais votados do estado e o mais votado em Maceió, e que se filiou ao PL em março de 2026 a convite de Flávio Bolsonaro, assumindo em seguida o diretório estadual da sigla.
As duas reportagens convergem ainda na leitura estratégica da indicação: ela foi feita de olho no desgaste de Lula com o escândalo da Previdência e para reforçar a campanha no Nordeste, região onde o PT tem vantagem histórica desde 2006.
Leia tambémA votação foi prorrogada até 19h para todos?Os veículos divergem em um detalhe da cronologia. A BBC News Brasil afirma que ele foi secretário de Defesa Social até 2016 e depois retornou ao governo estadual como secretário de Segurança Pública. O g1 diz que ele assumiu a Segurança Pública em 2015 e ficou até 2016, quando uma decisão do STF o impediu de ocupar função política sem deixar a carreira, e que voltou ao cargo após a eleição.
O que não está confirmado
Os laços familiares com o grupo de Collor aparecem em uma única fonte. A BBC News Brasil publicou que o pai de Gaspar, Carlos Alberto Pinheiro de Mendonça, foi conselheiro da família Collor, trabalhou nas Organizações Arnon de Mello e coordenou, em 2010, a campanha de Collor ao governo de Alagoas. O mesmo veículo informou que Gaspar é casado com Adriana Andrade, filha do ex-governador Moacir Lopes de Andrade, que assumiu o estado quando Collor saiu para disputar o Planalto em 1990. Nenhuma outra fonte consultada confirma esses pontos.
Também é exclusiva da BBC a informação de que, antes de ser escolhido vice, Gaspar liderava pesquisas para o Senado por Alagoas à frente de Renan Calheiros, e de que não era a primeira opção da chapa — Tereza Cristina e Renata Abreu foram consideradas, mas a decisão de Valdemar Costa Neto prevaleceu. A BBC registrou o anúncio e as falas dos dois:
“A pessoa que tem que ser meu vice não dá a mão para criminoso.” — Flávio Bolsonaro, senador (PL)
“Eu sou seu soldado. Estarei como para-choque na retaguarda, sempre leal e pronto para te servir” — Alfredo Gaspar, candidato a vice
Os números do mandato na Câmara vêm só da BBC: cerca de 140 discursos, quase metade sobre segurança pública e corrupção, com aproximadamente 52% mirando Lula, o PT ou a esquerda; 116 proposições assinadas, 44 de autoria, e 17 projetos em parceria com Adriana Ventura (Novo).
Sobre a CPMI do INSS, a BBC e a Folha relatam a relatoria entre agosto de 2025 e março de 2026, os pedidos de indiciamento de ex-ministros, do presidente do INSS, de Lulinha e do senador Weverton Rocha, e a rejeição do relatório final. A Folha e o g1 tratam o colegiado como CPI do INSS, sem a distinção de nomenclatura usada pela BBC.
A descrição do 2º turno está apenas na Folha: agenda intensa de atos no Nordeste, com motociata em Propriá (SE) e trio elétrico em Fortaleza, mas participação discreta na propaganda eleitoral. O jornal também publicou, com base em levantamento na biblioteca de anúncios da Meta, que Gaspar, com 1,1 milhão de seguidores no Instagram, não impulsionou nenhuma publicação nos perfis oficiais durante a campanha, e que a indicação ajudou a acomodar as oposições em Alagoas, selando aliança entre JHC e Arthur Lira.
O g1 informou que Gaspar foi alvo de pedido de investigação por suspeita de estupro de vulnerável, arquivado pelo STF, e que a campanha de Lula levou o caso ao horário eleitoral, com o vídeo suspenso pela Justiça Eleitoral. Não há condenação. Segundo o g1, Gaspar classifica a acusação como ataque criminoso e move ação contra Lindbergh Farias e Soraya Thronicke. O mesmo veículo registra que ele tem 56 anos, é natural de Maceió e declarou à Justiça Eleitoral patrimônio de R$ 564,7 mil.
Contexto
A escolha do vice ocorreu num momento de recomposição de alianças: a busca do PL por um companheiro de chapa se intensificou depois que o partido ficou sem o apoio do PP e do Republicanos. A CPMI do INSS, palco da projeção nacional de Gaspar, também concentrou o embate que a campanha quer transformar em bandeira, o combate à criminalidade, e a disputa por um palanque competitivo no Nordeste.
O que ainda não se sabe
Nenhuma das fontes consultadas detalha como as ligações com Collor e com os Calheiros se traduziram em influência prática em votações específicas no Congresso. Também não há registro público citado de emendas, nomeações ou encontros que comprovem essa proximidade além dos laços familiares e políticos descritos, nem explicação do próprio Gaspar sobre as alianças.
Fica em aberto, ainda, a razão da presença discreta do vice nas redes e na propaganda, e o cálculo sobre riscos e vantagens da indicação a menos de 24 horas da votação. São perguntas que dependem de dados de campanha que os veículos não publicaram.
O que checamos
Cada afirmação desta matéria foi conferida em fontes independentes antes da publicação.
- Só uma fonte
Flávio Bolsonaro anunciou Alfredo Gaspar como vice com a frase de que seu vice não daria a mão a criminoso; Gaspar respondeu que seria seu soldado e para-choque na retaguarda.
Fontes: BBC News Brasil · Apenas BBC traz as citações exatas. - Só uma fonte
Antes de ser vice, Gaspar liderava pesquisas para o Senado por Alagoas, à frente de Renan Calheiros; não era a primeira escolha da chapa, que considerou Tereza Cristina e Renata Abreu, mas a decisão de Valdemar Costa Neto prevaleceu.
Fontes: BBC News Brasil · Apenas BBC detalha liderança em pesquisas e escolha de outros nomes. - Só uma fonte
O pai de Gaspar, Carlos Alberto Pinheiro de Mendonça, foi conselheiro da família Collor e trabalhou nas Organizações Arnon de Mello; em 2010 foi coordenador da campanha de Collor ao governo de Alagoas.
Fontes: BBC News Brasil · Apenas BBC traz informações sobre o pai. - Só uma fonte
Gaspar é casado com Adriana Andrade, filha do ex-governador de Alagoas Moacir Lopes de Andrade, que assumiu o cargo quando Collor saiu para disputar o Planalto em 1990.
Fontes: BBC News Brasil · Apenas BBC traz informações sobre casamento e sogro. - Só uma fonte
Gaspar entrou no Ministério Público de Alagoas em 1996, coordenou o GECOC e presidiu o GNCOC; depois foi procurador-geral de Justiça por dois períodos.
Fontes: BBC News Brasil, G1 · Elementos divididos: BBC confirma entrada em 1996 e GECOC; G1 confirma GNCOC e procurador-geral; nenhuma fonte cobre todos juntos.
Fontes consultadas 3
- 1BBC News BrasilComo Alfredo Gaspar, candidato a vice de Flávio, usou ligações com Collor e Calheiros para crescer no Congressobbc.com
- 2Folha de S.PauloAlfredo Gaspar, vice de Flávio Bolsonaro, liderou atos no Nordeste e teve presença discreta nas redeswww1.folha.uol.com.br
- 3G1Eleições 2026: quem é Alfredo Gaspar, vice na chapa de Flávio Bolsonaro?g1.globo.com
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