Quem autorizou Flávio a usar o helicóptero dos R$ 7 milhões?
O uso do Bell 429 da Fato Gestora no ato de campanha está confirmado, assim como a apreensão de R$ 7 milhões em espécie na aeronave em 2021. Quem liberou o helicóptero não se sabe.
Informações confirmadas em 3 fontes independentes. O que checamos · Ver fontes · Como checamos

O ICL Notícias revelou que Flávio Bolsonaro (PL) chegou ao seu último ato de campanha no Rio, no sábado 24, véspera do segundo turno, a bordo do helicóptero de matrícula PT-OUR, em um condomínio na Barra da Tijuca. A aeronave é a mesma em que a Polícia Federal apreendeu R$ 7 milhões em espécie em 2021, em Búzios (RJ), episódio ligado ao empresário conhecido como “Faraó dos Bitcoins”. A checagem confirma o uso, a origem e a apreensão; não confirma quem liberou a aeronave, nem as versões sobre o arquivamento do inquérito e sobre a advocacia do senador para um ex-sócio de Glaidson.
O que se confirma
O uso do PT-OUR por Flávio naquele sábado aparece no ICL Notícias, no Vermelho e no Brasil 247. As três publicações também registram que a aeronave pertence à Fato Gestora e que, de acordo com a PF, o sócio Adalberto Salgado Junior a emprestou para o transporte de valores da GAS Consultoria, empresa de Glaidson Acácio dos Santos.
A apreensão de R$ 7 milhões em espécie em 2021, quando três pessoas ligadas a Glaidson embarcavam no helicóptero em Búzios, é confirmada pelos três veículos. Segundo o ICL e o Brasil 247, o Bell 429 foi comprado pela Fato Gestora em 2019 e é operado pela One Prime Leader Participações, do advogado Vinicius Peixoto Gonçalves.
Leia tambémPor que os números da vitória de Celina Leão no DF divergem?- R$ 7 milhões em espécie apreendidos pela PF no helicóptero, em Búzios (2021);
- R$ 12,9 milhões: valor de compra do Bell 429 pela Fato Gestora, em 2019;
- PT-OUR: matrícula da aeronave usada no ato de campanha do dia 24;
- Anac: conforme o ICL e o Brasil 247, o helicóptero não tem autorização para operar como táxi aéreo.
O advogado que responde pela operadora afirmou que a cessão foi particular e gratuita:
“uso da aeronave ocorreu mediante cessão de uso particular, sem qualquer cobrança de aluguel ou remuneração” — Vinicius Peixoto Gonçalves, advogado responsável pela empresa que opera a aeronave
A Fato Gestora sustenta que apenas fretou a aeronave, por intermédio de um broker de aviação, a pessoas que não conhecia, e que não teve contato com os passageiros. Procurado pelo ICL, Flávio não respondeu — o que o Vermelho também registra.
O que não está confirmado
O Brasil 247 publicou que a PF indiciou sete pessoas no relatório final, nenhuma delas ligada à Fato Gestora, e que a 3ª Vara Federal do Rio arquivou o inquérito na parte relativa à empresa em novembro de 2024. Nenhuma outra fonte consultada reproduz a informação, e não localizamos o teor da decisão. O dado segue, portanto, sem confirmação independente.
O ICL e o Vermelho publicaram que Flávio atuou como advogado de Tunay Pereira Lima, ex-sócio de Glaidson, e que seu escritório recebeu cerca de R$ 1,3 milhão em 2024 pelo trabalho; os dois veículos dizem que nos autos consta apenas um pedido de habeas corpus assinado por ele, negado no STJ. Não encontramos confirmação desses termos em fonte oficial nesta checagem. Há ainda divergência: o ICL afirma que o pagamento ocorreu um mês antes do requerimento de soltura, cronologia que as demais fontes não detalham.
Já os números atribuídos ao esquema — R$ 38 bilhões movimentados, cerca de 77 mil pessoas e empresas atingidas, prisão de Glaidson em agosto de 2021 na Operação Kryptos e pena de 19 anos e 2 meses na Justiça estadual do Rio — aparecem no ICL e no Vermelho, sem confirmação em outra fonte consultada.
A reação política é o ponto mais frágil. O Brasil 247 publicou que o deputado Rogério Correia (PT-MG) prometeu acionar o STF e cobrar investigação da PF. Nenhuma outra fonte confirma o anúncio, e não localizamos peça protocolada:
“É mais uma ação que nós vamos mover no Supremo Tribunal Federal e que a Polícia Federal terá que investigar” — Rogério Correia, deputado federal (PT-MG)
“Nunca vi gostar tanto de andar em aeronave de bandido” — Rogério Correia, deputado federal (PT-MG)
O deputado também questionou o custeio do voo, na versão publicada pelo Brasil 247: “Ora, este helicóptero sequer podia servir de taxa aérea, ou seja, não foi pago pelo senador, ele utilizou porque alguém emprestou”.
Contexto
O episódio apareceu na véspera do segundo turno, no último ato de campanha de Flávio no Rio. A GAS Consultoria atuava principalmente na Região dos Lagos fluminense e atraía investidores com promessas de altos rendimentos em criptomoedas. As três publicações divergem apenas na apresentação do personagem: o ICL e o Vermelho o tratam como candidato do PL à Presidência; o Brasil 247, como senador e candidato, sem diferença sobre o cargo.
O que ainda não se sabe
As fontes não identificam quem autorizou o uso da aeronave nem qual decisão judicial, se alguma, liberou o bem. Também não há registro, no material consultado, de decisão que impusesse restrição específica ao helicóptero e impedisse o uso por terceiros.
Não encontramos análise de órgão oficial sobre eventual irregularidade nem posicionamento do Ministério Público sobre o episódio. Não há, até aqui, acusação formal contra Flávio Bolsonaro relacionada ao voo. A campanha não se manifestou, e não há dados sobre efeito eleitoral do caso.
O que checamos
Cada afirmação desta matéria foi conferida em fontes independentes antes da publicação.
- Confirmado
Flávio Bolsonaro usou o helicóptero PT-OUR no sábado 24 para chegar a um condomínio na Barra da Tijuca, onde fez seu último ato de campanha eleitoral no Rio.
Fontes: ICL Notícias, Vermelho, Brasil 247 · Confirmado por ICL, Vermelho e Brasil 247; Barra da Tijuca aparece em ICL e Brasil 247. - Confirmado
A aeronave é de propriedade da Fato Gestora e, segundo a PF, foi emprestada pelo sócio da empresa, Adalberto Salgado Junior, para o transporte de valores da GAS Consultoria, empresa de Glaidson Acácio dos Santos.
Fontes: ICL Notícias, Vermelho, Brasil 247 · Todas as fontes confirmam propriedade e empréstimo pela PF. - Confirmado
Em 2021, em Búzios (RJ), a PF apreendeu R$ 7 milhões em espécie no momento em que três pessoas ligadas a Glaidson embarcavam no helicóptero; a apreensão deu início às investigações sobre as movimentações suspeitas do 'Faraó dos Bitcoins'.
Fontes: ICL Notícias, Vermelho, Brasil 247 · Confirmado por ICL, Vermelho e Brasil 247. - Confirmado
O helicóptero, modelo Bell 429, foi comprado pela Fato Gestora em 2019 por R$ 12,9 milhões e é operado pela One Prime Leader Participações, empresa do advogado Vinicius Peixoto Gonçalves.
Fontes: ICL Notícias, Brasil 247 · Confirmado por ICL e Brasil 247. - Confirmado
Segundo registros da Anac, o helicóptero não tem autorização para operar como táxi aéreo.
Fontes: ICL Notícias, Brasil 247 · Confirmado por ICL e Brasil 247.
Fontes consultadas 3
- 1ICL NotíciasEXCLUSIVO: No Rio, Flávio usa helicóptero apreendido com R$ 7 mi do ‘Faraó dos Bitcoins’iclnoticias.com.br
- 2VermelhoNa véspera da eleição, Flávio Bolsonaro usa helicóptero apreendido com R$ 7 milhões do Faraó dos Bitcoinsvermelho.org.br
- 3Brasil 247‘Nunca vi Flávio Bolsonaro gostar tanto de aeronave de bandido’, diz Correia, que cita ‘Faraó dos Bitcoins’brasil247.com
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