segunda-feira, 26 de outubro de 2026
Mercado financeiro

A queda de 26% dos fundos brasileiros em NY após a vitória de Lula é confiável?

Fundo e ações brasileiras caíram em NY após a vitória de Lula. O EWZ recuou de 18% a 26% conforme o horário; números únicos e dados fiscais não se sustentam.

Por Redação Use a Lógica
Produzida com apoio de inteligência artificial, a partir das fontes listadas, com checagem e revisão automáticas.
5 min de leitura 3 fontes
Verificado

Informações confirmadas em 3 fontes independentes. O que checamos · Ver fontes · Como checamos

Prédio da Bolsa de Valores de Nova York, com colunas e bandeira americana na fachada
Fachada da Bolsa de Valores de Nova York, em Manhattan, onde o EWZ e recibos de ações brasileiras são negociados (foto de arquivo, 2012) Foto: Ken Lund from Reno, Nevada, USA (CC BY-SA 2.0), via Wikimedia Commons

Fundos e ações de empresas brasileiras negociados em Nova York caíram com força no pregão noturno deste domingo, depois da reeleição de Lula sobre Flávio Bolsonaro. O movimento é descrito pelo g1, pelo Estadão e por Exame, que acompanharam o recuo do EWZ — ETF que reúne papéis brasileiros — e de recibos de ações de bancos, fintechs e da Petrobras. A checagem confirma a reação negativa e a direção das perdas; não confirma, porém, um número único para a queda nem parte das explicações e dos dados fiscais que circularam junto com ela.

O que se confirma

A queda dos ativos brasileiros no exterior é o núcleo confirmado da história. Os três veículos registram o recuo do EWZ, cada um com seu horário: 26%, a US$ 31,51, segundo o g1; 18,29%, a US$ 34,80, conforme o Estadão; e 19,61%, a US$ 34,24, de acordo com Exame.

O mercado futuro de câmbio aponta na mesma direção. O g1 registra baixa de 10,02% no contrato futuro do real em Chicago, e Exame, de 10,14% — o equivalente a um dólar entre R$ 5,56 e R$ 5,57.

Fachada do prédio da Bovespa no centro de São PauloLeia tambémDólar abaixo de R$ 5 na véspera do 2º turno: o que pesou no mercado?

As perdas nos recibos de ações brasileiras negociados nos Estados Unidos aparecem em mais de um veículo, com números diferentes para a mesma empresa:

  • Petrobras: cerca de 15,90% nas ordinárias e 15,81% nas preferenciais, segundo Exame;
  • Itaú: 28,5% pelo g1 e 17,79% por Exame;
  • Bradesco: 26,8% pelo g1 e 17,69% nas preferenciais por Exame;
  • Nubank: 24% pelo g1 e cerca de 12% no início da noite por Exame;
  • Mercado Livre: 10,3%, conforme Exame.

Em Tóquio, o ETF de ações brasileiras caiu 15% na medição do g1 e 11,80% na do Estadão.

Antes da votação, o mercado havia se posicionado. As três reportagens descrevem investidores apostando na vitória de Flávio Bolsonaro, e o g1 registra que o Ibovespa subiu quase 7% entre o primeiro turno e a véspera, com o real ganhando quase 5%. "A vitória de Lula foi uma surpresa para o mercado, que vinha demonstrando preferência por Flávio e antecipando sua vitória", disse ao Estadão Daniel Wainstein, co-CEO e sócio fundador da Seneca Evercore.

O argumento fiscal aparece como pano de fundo nas análises. Marcos Weigt, diretor de tesouraria do Travelex Bank, declarou ao Estadão: "Qualquer que fosse o vencedor, haveria muita dificuldade com a questão fiscal, por conta do tamanho das promessas. Mas o mercado daria um voto de confiança para Flávio. No caso de Lula, não vai haver complacência. Não vai ter o benefício da dúvida".

O que não está confirmado

A magnitude de 26% para o EWZ aparece apenas no g1; nenhuma outra fonte consultada registra esse patamar. O mesmo vale para o rebaixamento de recomendação do JP Morgan para o real e para títulos públicos brasileiros, de overweight para marketweight, e para os três focos de atenção que o banco teria listado — só o g1 publicou esses pontos.

O Estadão informa que 80% de 73 gestores ouvidos pelo Citi esperavam queda do Ibovespa acima de 5% e que 63% projetavam desvalorização do real superior a 5%. Nenhum outro veículo consultado reproduz a pesquisa. A previsão de circuit breaker e de atuação do Banco Central no câmbio também parte de uma única fonte.

Bancos, corretoras e fintechs na liderança das perdas — PagSeguro e XP perto de 19,5%, Stone com 16,11% e Vinci Partners com 14,53% —, assim como o desempenho mais brando das exportadoras (Embraer 1,20%, Vale 4,19%, Gerdau 6,86% e CSN 7,63%), constam apenas no Exame.

Os números fiscais que circularam junto às análises não foram confirmados. Não encontramos registro que sustente a dívida bruta próxima de 83% do PIB, contra 72% no fim de 2022, o déficit primário de cerca de 0,6% do PIB em 12 meses, os R$ 1,2 trilhão de juros acumulados em 12 meses (quase 9% do PIB) nem a lista de condições necessárias para reverter a expectativa negativa.

Contexto

O EWZ é usado como termômetro do apetite estrangeiro por ativos brasileiros, sobretudo quando a bolsa local está fechada. O pregão noturno nos Estados Unidos tem poucos participantes, e ordens pequenas movem os preços com mais intensidade do que no horário regular.

O Ibovespa não opera aos domingos. A abertura na segunda-feira está prevista para as 10h, e o dólar futuro começa a ser negociado às 9h. Se a queda se confirmar no mercado à vista, a B3 pode acionar o circuit breaker, que interrompe as negociações por um período.

O que ainda não se sabe

A resposta do governo reeleito e da futura equipe econômica não foi divulgada. Não há informação sobre a composição da equipe, sobre eventuais medidas de contenção de gastos ou sobre o plano para ancorar as expectativas. Também não há detalhes sobre a reação da oposição além da menção, nas reportagens, de que Flávio Bolsonaro não reconheceu a derrota.

Falta saber se as perdas do pregão noturno se sustentam na abertura do mercado brasileiro, se haverá intervenção do Banco Central e qual o efeito sobre o investimento produtivo. "A bolsa vai devolver tudo e mais um pouco", afirmou a Exame Alfredo Menezes, CEO da Armor Capital, que diz trabalhar com "um cenário de índice de 175 mil, 180 mil para o ano que vem". São projeções, não dados verificados.

O que checamos

Cada afirmação desta matéria foi conferida em fontes independentes antes da publicação.

6 confirmado8 só uma fonte
  1. Confirmado

    Mercado indica reação negativa com a reeleição de Lula, com queda de fundos e ações brasileiras em Nova York.

    Fontes: g1 Economia, Estadão, Exame · Três veículos independentes registram fortes quedas no EWZ e em ADRs.
  2. Só uma fonte

    O EWZ, fundo negociado em Nova York que reúne ações brasileiras, despencou cerca de 26% após a reeleição de Lula, sendo negociado a US$ 31,51 contra US$ 42,59 no fechamento anterior.

    Fontes: g1 Economia · Apenas o g1 cita esse valor exato; Estadão e Exame mostram quedas menores em horários distintos, sem contradição.
  3. Confirmado

    Em outro momento do pregão noturno, o EWZ recuava 19,61%, a US$ 34,24, e o Estadão registrou queda de 18,29%, a US$ 34,80.

    Fontes: Estadão, Exame · Exame e Estadão confirmam quedas fortes do EWZ em horários diferentes; cada percentual é de uma fonte.
  4. Confirmado

    ADRs de empresas brasileiras tiveram perdas fortes: Petrobras cerca de 20% (15,90% nas ordinárias e 15,81% nas preferenciais), Itaú 28,5% em um relato e 17,79% em outro, Bradesco 26,8% e 17,69%, Nubank 24% e cerca de 12%, Mercado Livre 10,3%.

    Fontes: g1 Economia, Exame · Ambas as fontes confirmam perdas fortes em ADRs; os percentuais variam conforme horário e fonte (g1: Itaú 28,5%, Bradesco 26,8%, Nubank 24%; Exame: Itaú 17,79%, Bradesco PN 17,69%, Nubank +12%). A divergência não é contradição, mas diferença temporal.
  5. Só uma fonte

    Bancos, corretoras e fintechs lideraram as quedas, com PagSeguro e XP perto de 19,5%, Stone 16,11% e Vinci Partners 14,53%.

    Fontes: Exame · Apenas a Exame reporta esses números específicos.

Fontes consultadas 3

  1. 1g1 EconomiaFundo de ações brasileiras despenca 26% em Nova York após reeleição de Lulag1.globo.com
  2. 2EstadãoMercado indica reação negativa com eleição de Lulaestadao.com.br
  3. 3ExameAções brasileiras em Nova York desabam até 19% na noite da reeleição de Lulaexame.com

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