A queda de 26% dos fundos brasileiros em NY após a vitória de Lula é confiável?
Fundo e ações brasileiras caíram em NY após a vitória de Lula. O EWZ recuou de 18% a 26% conforme o horário; números únicos e dados fiscais não se sustentam.
Informações confirmadas em 3 fontes independentes. O que checamos · Ver fontes · Como checamos

Fundos e ações de empresas brasileiras negociados em Nova York caíram com força no pregão noturno deste domingo, depois da reeleição de Lula sobre Flávio Bolsonaro. O movimento é descrito pelo g1, pelo Estadão e por Exame, que acompanharam o recuo do EWZ — ETF que reúne papéis brasileiros — e de recibos de ações de bancos, fintechs e da Petrobras. A checagem confirma a reação negativa e a direção das perdas; não confirma, porém, um número único para a queda nem parte das explicações e dos dados fiscais que circularam junto com ela.
O que se confirma
A queda dos ativos brasileiros no exterior é o núcleo confirmado da história. Os três veículos registram o recuo do EWZ, cada um com seu horário: 26%, a US$ 31,51, segundo o g1; 18,29%, a US$ 34,80, conforme o Estadão; e 19,61%, a US$ 34,24, de acordo com Exame.
O mercado futuro de câmbio aponta na mesma direção. O g1 registra baixa de 10,02% no contrato futuro do real em Chicago, e Exame, de 10,14% — o equivalente a um dólar entre R$ 5,56 e R$ 5,57.
Leia tambémDólar abaixo de R$ 5 na véspera do 2º turno: o que pesou no mercado?As perdas nos recibos de ações brasileiras negociados nos Estados Unidos aparecem em mais de um veículo, com números diferentes para a mesma empresa:
- Petrobras: cerca de 15,90% nas ordinárias e 15,81% nas preferenciais, segundo Exame;
- Itaú: 28,5% pelo g1 e 17,79% por Exame;
- Bradesco: 26,8% pelo g1 e 17,69% nas preferenciais por Exame;
- Nubank: 24% pelo g1 e cerca de 12% no início da noite por Exame;
- Mercado Livre: 10,3%, conforme Exame.
Em Tóquio, o ETF de ações brasileiras caiu 15% na medição do g1 e 11,80% na do Estadão.
Antes da votação, o mercado havia se posicionado. As três reportagens descrevem investidores apostando na vitória de Flávio Bolsonaro, e o g1 registra que o Ibovespa subiu quase 7% entre o primeiro turno e a véspera, com o real ganhando quase 5%. "A vitória de Lula foi uma surpresa para o mercado, que vinha demonstrando preferência por Flávio e antecipando sua vitória", disse ao Estadão Daniel Wainstein, co-CEO e sócio fundador da Seneca Evercore.
O argumento fiscal aparece como pano de fundo nas análises. Marcos Weigt, diretor de tesouraria do Travelex Bank, declarou ao Estadão: "Qualquer que fosse o vencedor, haveria muita dificuldade com a questão fiscal, por conta do tamanho das promessas. Mas o mercado daria um voto de confiança para Flávio. No caso de Lula, não vai haver complacência. Não vai ter o benefício da dúvida".
O que não está confirmado
A magnitude de 26% para o EWZ aparece apenas no g1; nenhuma outra fonte consultada registra esse patamar. O mesmo vale para o rebaixamento de recomendação do JP Morgan para o real e para títulos públicos brasileiros, de overweight para marketweight, e para os três focos de atenção que o banco teria listado — só o g1 publicou esses pontos.
O Estadão informa que 80% de 73 gestores ouvidos pelo Citi esperavam queda do Ibovespa acima de 5% e que 63% projetavam desvalorização do real superior a 5%. Nenhum outro veículo consultado reproduz a pesquisa. A previsão de circuit breaker e de atuação do Banco Central no câmbio também parte de uma única fonte.
Bancos, corretoras e fintechs na liderança das perdas — PagSeguro e XP perto de 19,5%, Stone com 16,11% e Vinci Partners com 14,53% —, assim como o desempenho mais brando das exportadoras (Embraer 1,20%, Vale 4,19%, Gerdau 6,86% e CSN 7,63%), constam apenas no Exame.
Os números fiscais que circularam junto às análises não foram confirmados. Não encontramos registro que sustente a dívida bruta próxima de 83% do PIB, contra 72% no fim de 2022, o déficit primário de cerca de 0,6% do PIB em 12 meses, os R$ 1,2 trilhão de juros acumulados em 12 meses (quase 9% do PIB) nem a lista de condições necessárias para reverter a expectativa negativa.
Contexto
O EWZ é usado como termômetro do apetite estrangeiro por ativos brasileiros, sobretudo quando a bolsa local está fechada. O pregão noturno nos Estados Unidos tem poucos participantes, e ordens pequenas movem os preços com mais intensidade do que no horário regular.
O Ibovespa não opera aos domingos. A abertura na segunda-feira está prevista para as 10h, e o dólar futuro começa a ser negociado às 9h. Se a queda se confirmar no mercado à vista, a B3 pode acionar o circuit breaker, que interrompe as negociações por um período.
O que ainda não se sabe
A resposta do governo reeleito e da futura equipe econômica não foi divulgada. Não há informação sobre a composição da equipe, sobre eventuais medidas de contenção de gastos ou sobre o plano para ancorar as expectativas. Também não há detalhes sobre a reação da oposição além da menção, nas reportagens, de que Flávio Bolsonaro não reconheceu a derrota.
Falta saber se as perdas do pregão noturno se sustentam na abertura do mercado brasileiro, se haverá intervenção do Banco Central e qual o efeito sobre o investimento produtivo. "A bolsa vai devolver tudo e mais um pouco", afirmou a Exame Alfredo Menezes, CEO da Armor Capital, que diz trabalhar com "um cenário de índice de 175 mil, 180 mil para o ano que vem". São projeções, não dados verificados.
O que checamos
Cada afirmação desta matéria foi conferida em fontes independentes antes da publicação.
- Confirmado
Mercado indica reação negativa com a reeleição de Lula, com queda de fundos e ações brasileiras em Nova York.
Fontes: g1 Economia, Estadão, Exame · Três veículos independentes registram fortes quedas no EWZ e em ADRs. - Só uma fonte
O EWZ, fundo negociado em Nova York que reúne ações brasileiras, despencou cerca de 26% após a reeleição de Lula, sendo negociado a US$ 31,51 contra US$ 42,59 no fechamento anterior.
Fontes: g1 Economia · Apenas o g1 cita esse valor exato; Estadão e Exame mostram quedas menores em horários distintos, sem contradição. - Confirmado
Em outro momento do pregão noturno, o EWZ recuava 19,61%, a US$ 34,24, e o Estadão registrou queda de 18,29%, a US$ 34,80.
Fontes: Estadão, Exame · Exame e Estadão confirmam quedas fortes do EWZ em horários diferentes; cada percentual é de uma fonte. - Confirmado
ADRs de empresas brasileiras tiveram perdas fortes: Petrobras cerca de 20% (15,90% nas ordinárias e 15,81% nas preferenciais), Itaú 28,5% em um relato e 17,79% em outro, Bradesco 26,8% e 17,69%, Nubank 24% e cerca de 12%, Mercado Livre 10,3%.
Fontes: g1 Economia, Exame · Ambas as fontes confirmam perdas fortes em ADRs; os percentuais variam conforme horário e fonte (g1: Itaú 28,5%, Bradesco 26,8%, Nubank 24%; Exame: Itaú 17,79%, Bradesco PN 17,69%, Nubank +12%). A divergência não é contradição, mas diferença temporal. - Só uma fonte
Bancos, corretoras e fintechs lideraram as quedas, com PagSeguro e XP perto de 19,5%, Stone 16,11% e Vinci Partners 14,53%.
Fontes: Exame · Apenas a Exame reporta esses números específicos.
Fontes consultadas 3
- 1g1 EconomiaFundo de ações brasileiras despenca 26% em Nova York após reeleição de Lulag1.globo.com
- 2EstadãoMercado indica reação negativa com eleição de Lulaestadao.com.br
- 3ExameAções brasileiras em Nova York desabam até 19% na noite da reeleição de Lulaexame.com
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