Itaú paga R$ 2,9 bi pela NeoSpace: o que a startup de IA entrega
Banco compra 100% da startup brasileira de modelos fundacionais de IA; negócio anunciado em 26 de outubro ainda depende de aval do Cade e do Banco Central.
Informações confirmadas em 3 fontes independentes. O que checamos · Ver fontes · Como checamos

O Itaú Unibanco anunciou na segunda-feira, 26 de outubro, um acordo para comprar 100% das ações da NeoSpace, startup brasileira de modelos fundacionais de inteligência artificial e dados, por cerca de R$ 2,9 bilhões. A checagem confirmou o acordo, a ordem de grandeza do valor e a dependência de aval regulatório em fontes independentes. Não encontrou, porém, sustentação para boa parte do detalhamento técnico, histórico e de investidores que acompanha o anúncio.
O que se confirma
O NeoFeed, o Valor Econômico e a Exame registram o mesmo movimento central: o banco assinou acordo para ficar com a totalidade da empresa. As três publicações também situam o anúncio na segunda-feira, 26 de outubro.
Sobre o preço, há uma diferença de redação, não de conteúdo: o NeoFeed fala em R$ 2,92 bilhões; o Valor e a Exame, em R$ 2,925 bilhões. As três cifras descrevem a mesma operação, na casa dos R$ 2,9 bilhões.
O Valor e a Exame confirmam que a parceria entre banco e startup já durava quase dois anos e rendeu aplicações de IA generativa em crédito, gestão financeira, relacionamento com clientes e prevenção a fraudes. As duas publicações também confirmam que a tecnologia da NeoSpace deve alimentar a evolução do ia.i, a plataforma de IA generativa do Itaú, com personalização de serviços, orientações financeiras e ofertas de crédito ajustadas ao perfil de cada cliente.
NeoFeed e Valor confirmam que a empresa comprada continuará operando de forma independente, com equipe mantida, pesquisa e desenvolvimento em andamento e Bruno Pierobon na presidência. E Valor e Exame confirmam que o negócio não está fechado: a conclusão depende de condições contratuais, entre elas o aval do Cade e do Banco Central.
"A aquisição da NeoSpace é um investimento estratégico nessa ambição. Ao reunir tecnologia fundacional, conhecimento financeiro e escala, estamos construindo as condições para desenvolver soluções que estabeleçam novos padrões de mercado, no Brasil e no mundo", afirmou Milton Maluhy Filho, CEO do Itaú Unibanco.
Pierobon, cofundador e CEO da NeoSpace, afirmou que "essa nova etapa cria condições para aprofundar nosso trabalho de pesquisa e desenvolvimento, com a continuidade da equipe e da visão que deram origem à empresa".
O que não está confirmado
A descrição técnica da empresa aparece em uma única publicação. Segundo o NeoFeed, a NeoSpace desenvolve o que chama de Large Data Model (LDM), capaz de analisar qualquer formato de dado e documento, e não apenas texto como os modelos de linguagem tradicionais. Nem o Valor nem a Exame detalham a tecnologia nesses termos.
A afirmação de que a empresa cria plataformas para outras companhias construírem e treinarem seus próprios modelos não foi sustentada por nenhuma das fontes consultadas. A origem da companhia também é contada por um único veículo: o NeoFeed informa que a NeoSpace foi criada no fim de 2023 por Bruno Pierobon, Felipe Almeida, Gustavo Debs e Thiago Teixeira.
Sobre a rodada de investimento de janeiro de 2025, as versões divergem. O NeoFeed fala em captação de US$ 18 milhões com avaliação de US$ 100 milhões, liderada pelo Itaú e com Martin Escobari (General Atlantic) e Micky Malka (Ribbit Capital) na lista. A Exame, citando a Bloomberg Línea, informa aporte de US$ 15 milhões do banco por 15% de participação e acrescenta os investidores-anjo Nigel Morris (QED) e Hans Morris (NYCA Partners). Nenhuma das duas versões foi confirmada por uma segunda fonte independente.
A lista de clientes em telecomunicações, aviação e energia, com planos de expansão para Estados Unidos e Europa, também vem de um só veículo, o NeoFeed.
Outros dados que circulam não encontraram registro que os sustente nas fontes consultadas: a compra da Zup pelo Itaú em 2019 por mais de R$ 500 milhões; a meta de levar o ia.i a 100% dos clientes pessoa física do superapp até o fim de 2026; e a existência do Instituto de Ciência e Tecnologia Itaú (ICTi). Pelo mesmo motivo, não confirmamos o estudo da Universidade Federal de Goiás que teria mapeado mais de 50 modelos de linguagem desenvolvidos no Brasil.
Contexto
A operação ocorre no momento em que os grandes bancos brasileiros disputam posição em IA generativa. O Bradesco, por exemplo, mantém a BIA, sua plataforma de assistente virtual. Para o Itaú, comprar a empresa que já era sua parceira transforma um contrato de tecnologia em ativo próprio.
A NeoSpace se posiciona como uma alternativa nacional no desenvolvimento de modelos fundacionais, segmento dominado por companhias como OpenAI e Anthropic. O tamanho do cheque indica que o banco preferiu adquirir capacidade instalada em vez de desenvolvê-la internamente ou licenciá-la de terceiros.
O que ainda não se sabe
- Como o valor de R$ 2,9 bilhões foi calculado — não há laudo, múltiplo ou critério de valuation divulgado.
- Qual será a forma de pagamento: à vista, em ações ou uma combinação.
- Qual o prazo de análise do Cade e do Banco Central e a data prevista para o fechamento.
- Qual o impacto da compra nas contas do Itaú e quando o efeito aparecerá nos balanços.
- O que acontece com os demais investidores da NeoSpace e se a empresa manterá clientes fora do setor financeiro.
O comunicado do Itaú não detalha esses pontos. A checagem segue aberta até a manifestação dos órgãos reguladores.
O que checamos
Cada afirmação desta matéria foi conferida em fontes independentes antes da publicação.
- Confirmado
O Itaú Unibanco assinou acordo para adquirir a totalidade das ações da NeoSpace, startup brasileira de modelos fundacionais de IA e dados.
Fontes: NeoFeed, Valor Econômico, Exame · Presente em todos os textos. - Confirmado
O valor da transação foi anunciado em R$ 2,92 bilhões ou R$ 2,925 bilhões, a depender do veículo.
Fontes: NeoFeed, Valor Econômico, Exame · Valores ligeiramente diferentes por arredondamento, mas todos na faixa de R$ 2,9 bilhões. - Confirmado
O anúncio foi feito em 26 de outubro, uma segunda-feira.
Fontes: NeoFeed, Valor Econômico, Exame · Todos os textos mencionam a data. - Só uma fonte
A NeoSpace desenvolve o conceito que batizou de Large Data Model (LDM), que analisa qualquer formato de dado e documento, diferentemente dos modelos de linguagem tradicionais (LLMs).
Fontes: NeoFeed · Apenas o NeoFeed menciona o conceito LDM. - Sem prova
A empresa cria plataformas para que outras companhias construam e treinem seus próprios modelos com seus dados, apostando em modelos especializados em vez de IAs generalistas.
Nenhuma fonte sustenta · Não encontrado nos textos fornecidos; o NeoFeed fala em tese diferente e LDM, mas não menciona plataformas para terceiros.
Fontes consultadas 3
- 1NeoFeedItaú compra NeoSpace por R$ 2,9 bilhões e avança na inteligência artificialneofeed.com.br
- 2Valor EconômicoItaú anuncia aquisição da NeoSpace por R$ 2,925 bilhões e amplia investimento em IA fundacionalvalor.globo.com
- 3ExameItaú compra startup brasileira de inteligência artificial por R$ 2,9 bilhõesexame.com
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