segunda-feira, 26 de outubro de 2026
Tecnologia

Itaú paga R$ 2,9 bi pela NeoSpace: o que a startup de IA entrega

Banco compra 100% da startup brasileira de modelos fundacionais de IA; negócio anunciado em 26 de outubro ainda depende de aval do Cade e do Banco Central.

Por Redação Use a Lógica
Produzida com apoio de inteligência artificial, a partir das fontes listadas, com checagem e revisão automáticas.
5 min de leitura 3 fontes
Verificado

Informações confirmadas em 3 fontes independentes. O que checamos · Ver fontes · Como checamos

Executivo de terno no palco do Web Summit Rio 2025 falando ao público
Milton Maluhy Filho, CEO do Itaú Unibanco, no Web Summit Rio 2025 (foto de arquivo, 2025) Foto: Web Summit Rio from Rio de Janeiro, Brazil (CC BY 2.0), via Wikimedia Commons

O Itaú Unibanco anunciou na segunda-feira, 26 de outubro, um acordo para comprar 100% das ações da NeoSpace, startup brasileira de modelos fundacionais de inteligência artificial e dados, por cerca de R$ 2,9 bilhões. A checagem confirmou o acordo, a ordem de grandeza do valor e a dependência de aval regulatório em fontes independentes. Não encontrou, porém, sustentação para boa parte do detalhamento técnico, histórico e de investidores que acompanha o anúncio.

O que se confirma

O NeoFeed, o Valor Econômico e a Exame registram o mesmo movimento central: o banco assinou acordo para ficar com a totalidade da empresa. As três publicações também situam o anúncio na segunda-feira, 26 de outubro.

Sobre o preço, há uma diferença de redação, não de conteúdo: o NeoFeed fala em R$ 2,92 bilhões; o Valor e a Exame, em R$ 2,925 bilhões. As três cifras descrevem a mesma operação, na casa dos R$ 2,9 bilhões.

O Valor e a Exame confirmam que a parceria entre banco e startup já durava quase dois anos e rendeu aplicações de IA generativa em crédito, gestão financeira, relacionamento com clientes e prevenção a fraudes. As duas publicações também confirmam que a tecnologia da NeoSpace deve alimentar a evolução do ia.i, a plataforma de IA generativa do Itaú, com personalização de serviços, orientações financeiras e ofertas de crédito ajustadas ao perfil de cada cliente.

NeoFeed e Valor confirmam que a empresa comprada continuará operando de forma independente, com equipe mantida, pesquisa e desenvolvimento em andamento e Bruno Pierobon na presidência. E Valor e Exame confirmam que o negócio não está fechado: a conclusão depende de condições contratuais, entre elas o aval do Cade e do Banco Central.

"A aquisição da NeoSpace é um investimento estratégico nessa ambição. Ao reunir tecnologia fundacional, conhecimento financeiro e escala, estamos construindo as condições para desenvolver soluções que estabeleçam novos padrões de mercado, no Brasil e no mundo", afirmou Milton Maluhy Filho, CEO do Itaú Unibanco.

Pierobon, cofundador e CEO da NeoSpace, afirmou que "essa nova etapa cria condições para aprofundar nosso trabalho de pesquisa e desenvolvimento, com a continuidade da equipe e da visão que deram origem à empresa".

O que não está confirmado

A descrição técnica da empresa aparece em uma única publicação. Segundo o NeoFeed, a NeoSpace desenvolve o que chama de Large Data Model (LDM), capaz de analisar qualquer formato de dado e documento, e não apenas texto como os modelos de linguagem tradicionais. Nem o Valor nem a Exame detalham a tecnologia nesses termos.

A afirmação de que a empresa cria plataformas para outras companhias construírem e treinarem seus próprios modelos não foi sustentada por nenhuma das fontes consultadas. A origem da companhia também é contada por um único veículo: o NeoFeed informa que a NeoSpace foi criada no fim de 2023 por Bruno Pierobon, Felipe Almeida, Gustavo Debs e Thiago Teixeira.

Sobre a rodada de investimento de janeiro de 2025, as versões divergem. O NeoFeed fala em captação de US$ 18 milhões com avaliação de US$ 100 milhões, liderada pelo Itaú e com Martin Escobari (General Atlantic) e Micky Malka (Ribbit Capital) na lista. A Exame, citando a Bloomberg Línea, informa aporte de US$ 15 milhões do banco por 15% de participação e acrescenta os investidores-anjo Nigel Morris (QED) e Hans Morris (NYCA Partners). Nenhuma das duas versões foi confirmada por uma segunda fonte independente.

A lista de clientes em telecomunicações, aviação e energia, com planos de expansão para Estados Unidos e Europa, também vem de um só veículo, o NeoFeed.

Outros dados que circulam não encontraram registro que os sustente nas fontes consultadas: a compra da Zup pelo Itaú em 2019 por mais de R$ 500 milhões; a meta de levar o ia.i a 100% dos clientes pessoa física do superapp até o fim de 2026; e a existência do Instituto de Ciência e Tecnologia Itaú (ICTi). Pelo mesmo motivo, não confirmamos o estudo da Universidade Federal de Goiás que teria mapeado mais de 50 modelos de linguagem desenvolvidos no Brasil.

Contexto

A operação ocorre no momento em que os grandes bancos brasileiros disputam posição em IA generativa. O Bradesco, por exemplo, mantém a BIA, sua plataforma de assistente virtual. Para o Itaú, comprar a empresa que já era sua parceira transforma um contrato de tecnologia em ativo próprio.

A NeoSpace se posiciona como uma alternativa nacional no desenvolvimento de modelos fundacionais, segmento dominado por companhias como OpenAI e Anthropic. O tamanho do cheque indica que o banco preferiu adquirir capacidade instalada em vez de desenvolvê-la internamente ou licenciá-la de terceiros.

O que ainda não se sabe

  • Como o valor de R$ 2,9 bilhões foi calculado — não há laudo, múltiplo ou critério de valuation divulgado.
  • Qual será a forma de pagamento: à vista, em ações ou uma combinação.
  • Qual o prazo de análise do Cade e do Banco Central e a data prevista para o fechamento.
  • Qual o impacto da compra nas contas do Itaú e quando o efeito aparecerá nos balanços.
  • O que acontece com os demais investidores da NeoSpace e se a empresa manterá clientes fora do setor financeiro.

O comunicado do Itaú não detalha esses pontos. A checagem segue aberta até a manifestação dos órgãos reguladores.

O que checamos

Cada afirmação desta matéria foi conferida em fontes independentes antes da publicação.

7 confirmado5 só uma fonte2 sem prova
  1. Confirmado

    O Itaú Unibanco assinou acordo para adquirir a totalidade das ações da NeoSpace, startup brasileira de modelos fundacionais de IA e dados.

    Fontes: NeoFeed, Valor Econômico, Exame · Presente em todos os textos.
  2. Confirmado

    O valor da transação foi anunciado em R$ 2,92 bilhões ou R$ 2,925 bilhões, a depender do veículo.

    Fontes: NeoFeed, Valor Econômico, Exame · Valores ligeiramente diferentes por arredondamento, mas todos na faixa de R$ 2,9 bilhões.
  3. Confirmado

    O anúncio foi feito em 26 de outubro, uma segunda-feira.

    Fontes: NeoFeed, Valor Econômico, Exame · Todos os textos mencionam a data.
  4. Só uma fonte

    A NeoSpace desenvolve o conceito que batizou de Large Data Model (LDM), que analisa qualquer formato de dado e documento, diferentemente dos modelos de linguagem tradicionais (LLMs).

    Fontes: NeoFeed · Apenas o NeoFeed menciona o conceito LDM.
  5. Sem prova

    A empresa cria plataformas para que outras companhias construam e treinem seus próprios modelos com seus dados, apostando em modelos especializados em vez de IAs generalistas.

    Nenhuma fonte sustenta · Não encontrado nos textos fornecidos; o NeoFeed fala em tese diferente e LDM, mas não menciona plataformas para terceiros.

Fontes consultadas 3

  1. 1NeoFeedItaú compra NeoSpace por R$ 2,9 bilhões e avança na inteligência artificialneofeed.com.br
  2. 2Valor EconômicoItaú anuncia aquisição da NeoSpace por R$ 2,925 bilhões e amplia investimento em IA fundacionalvalor.globo.com
  3. 3ExameItaú compra startup brasileira de inteligência artificial por R$ 2,9 bilhõesexame.com

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