terça-feira, 27 de outubro de 2026
Mercado

Juros longos disparam e Tesouro cancela leilões após eleição

Sim, a alta refletiu a quebra de expectativa do mercado, que apostava em outro resultado; o Tesouro cancelou leilões e os números variam conforme vencimento e horário.

Por Redação Use a Lógica
Produzida com apoio de inteligência artificial, a partir das fontes listadas, com checagem e revisão automáticas.
5 min de leitura 4 fontes
Verificado

Informações confirmadas em 4 fontes independentes. O que checamos · Ver fontes · Como checamos

Fachada do prédio da Bovespa no centro de São Paulo
Prédio da Bovespa, no centro de São Paulo, onde os juros futuros dispararam após a eleição (foto de arquivo, 2017) Foto: Wilfredor (CC BY-SA 4.0), via Wikimedia Commons

A vitória de Luiz Inácio Lula da Silva no segundo turno foi seguida, na segunda-feira (26/10), por uma alta forte dos juros futuros longos, pela ampliação dos limites de oscilação dos contratos de DI pela B3 e pelo cancelamento de leilões do Tesouro Nacional. A checagem confirma o disparo das taxas longas e a explicação predominante entre analistas: o mercado havia se posicionado para outro resultado. Os números exatos do pregão, porém, não são uniformes e mudam conforme o vencimento e o horário da coleta.

O que se confirma

A disparada dos juros futuros longos é registrada pela BBC News Brasil, pela CNN Brasil, pelo InfoMoney e por VEJA, que descrevem o mesmo movimento de alta logo após a confirmação do resultado. O fato foi confirmado em quatro fontes independentes.

Também confirmadas em duas fontes: a decisão da B3 de ampliar os limites de oscilação das taxas dos DIs em todos os vencimentos (CNN Brasil e InfoMoney) e o cancelamento, pelo Tesouro Nacional, do leilão de NTN-B de terça-feira e do leilão de LTN de quinta-feira (CNN Brasil e InfoMoney).

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A quebra de expectativa aparece nas quatro fontes. A leitura comum é que parte dos investidores estava posicionada para uma vitória de Flávio Bolsonaro, cenário associado a maior rigor fiscal e à possibilidade de queda da Selic. "O mercado estava acreditando num cenário otimista, que os preços de ativos iam se valorizar com a possível eleição do Flávio Bolsonaro", afirmou Luciano Sobral, economista-chefe da NEO Investimentos.

Na mesma direção, Jorge Ferreira dos Santos Filho, professor da ESPM, descreveu o posicionamento anterior: "Tinha muitas posições montadas no longo prazo, prevendo uma estabilização da economia, com maior rigor fiscal, mesmo que, naquele momento, [Flávio] não tivesse um plano ainda delineado – tinha basicamente uma declaração de intenções".

As quatro fontes também convergem no que vem depois: o mercado espera a definição da equipe econômica do novo governo e sinais de ajuste fiscal. "Como não veio esse cenário e veio no lugar um cenário que o mercado considera ruim, os agentes estão revisando o que tinham de premissa para os preços", disse Sobral.

O que não está confirmado

A magnitude do movimento não é uniforme. Para o DI com vencimento em janeiro de 2031, InfoMoney e VEJA registram alta de 182 pontos-base, para 14,460%. A BBC News Brasil fala em alta de quase 3 pontos percentuais no mesmo vencimento — diferença que as próprias reportagens não explicam e que pode decorrer do horário de observação ou de arredondamento. Já a CNN Brasil reporta 263 pontos-base para o DI de janeiro de 2035, dado que não aparece em outra fonte consultada.

O comportamento dos juros curtos também tem versões distintas. O InfoMoney informa que o DI para janeiro de 2027 subiu para 13,795%, alta de 33,1 pontos-base, e descreve elevação de cerca de 40 pontos-base nos vencimentos curtos. VEJA registra 13,983% para o mesmo papel, com alta de 52 pontos-base. Nenhuma outra fonte consultada confirma qualquer dos dois números.

Outros dados do pregão aparecem em um único veículo. A queda de 13,88% do Ibovespa em 26/10, a maior desde março de 2020, com interrupção das negociações por circuit breaker na abertura, foi publicada apenas pela BBC News Brasil. O mesmo vale para o dólar: a informação de que a moeda encostou em R$ 5,60 pela manhã e fechou a R$ 5,40, após R$ 4,99 na sexta anterior, tem a BBC como única fonte. O InfoMoney é o único a afirmar que as taxas voltaram a leilão; a CNN Brasil é a única a dizer que o Tesouro manteve o leilão de LFTs de terça-feira; e o placar de 51,79% a 48,21% dos votos válidos foi publicado apenas pela CNN Brasil.

Contexto

Juros futuros, segundo a descrição publicada por VEJA, são taxas negociadas em contratos na B3 que expressam expectativas para os juros ao longo do tempo, com acréscimo de prêmio de risco. Eles não alteram a Selic diretamente, mas antecipam apostas sobre inflação, câmbio e política fiscal. A Selic estava em 13,75% ao ano, conforme a BBC News Brasil.

Sobre o efeito econômico, VEJA afirma que a alta tende a encarecer o crédito para empresas e famílias e a dificultar investimentos. A BBC News Brasil cita estimativa de superávit primário de 1,5% a 2% do PIB para estabilizar a dívida. "A Selic passa a depender de como o dólar vai se comportar, e isso vai depender da resposta fiscal do governo, que terá que se posicionar rapidamente para tentar acalmar o mercado", disse Jorge Ferreira dos Santos Filho.

"O dólar, por exemplo, vai permanecer estruturalmente mais alto do que estava na semana passada, vai seguir operando acima dos R$ 5, a menos que alguma coisa muito extraordinária aconteça", afirmou o professor da ESPM.

O que ainda não se sabe

Não há informação, nas fontes consultadas, sobre quem integrará a equipe econômica do novo governo nem sobre quais medidas fiscais serão adotadas. Também não se sabe se o Banco Central manterá o ciclo de queda da Selic ou se interromperá o processo diante do dólar mais alto e dos juros futuros pressionados.

"Por enquanto, sabemos muito pouco sobre isso, não sabemos como o governo, em formação ou em transição, vai encarar a gestão da política econômica", afirmou Sobral, que também prevê continuidade da pressão: "Acredito que tem espaço para, por várias semanas, ter essa pressão de venda de ativos em real para mandar dinheiro para fora".

O que checamos

Cada afirmação desta matéria foi conferida em fontes independentes antes da publicação.

4 confirmado9 só uma fonte1 versões divergem
  1. Só uma fonte

    A bolsa de valores de São Paulo (Ibovespa) caiu 13,88% na segunda-feira (26/10), maior perda diária desde março de 2020, e a operação foi interrompida por circuit breaker na abertura.

    Fontes: BBC News Brasil · Relatado apenas pela BBC News Brasil.
  2. Só uma fonte

    O dólar à vista encostou em R$ 5,60 pela manhã e fechou a R$ 5,40, após ter encerrado a sexta-feira anterior em R$ 4,99.

    Fontes: BBC News Brasil · Dados apenas na BBC News Brasil.
  3. Confirmado

    Os juros futuros longos dispararam após a vitória de Lula.

    Fontes: BBC News Brasil, CNN Brasil, InfoMoney, VEJA · Todas as fontes relatam forte alta dos juros futuros longos.
  4. Versões divergem

    O DI para janeiro de 2031 subiu 182 pontos-base, para 14,460%.

    Fontes: BBC News Brasil, InfoMoney, VEJA · InfoMoney e VEJA reportam 182 pontos-base, mas BBC menciona alta de 'quase 3 pontos percentuais', o que diverge significativamente.
  5. Só uma fonte

    O DI para janeiro de 2035 subiu 263 pontos-base, para 15,375%.

    Fontes: CNN Brasil · Somente a CNN Brasil reporta esse dado.

Fontes consultadas 4

  1. 1BBC News BrasilO que vai acontecer com dólar e juros após derrocada dos mercados financeiros com vitória de Lulabbc.com
  2. 2CNN BrasilJuros futuros sobem mais de 260 pontos-base após vitória de Lulacnnbrasil.com.br
  3. 3InfoMoneyJuro longo dispara 182 pontos-base com vitória de Lula; taxas voltam para leilãoinfomoney.com.br
  4. 4VEJAO que são juros futuros e por que eles preocupam o mercado após a vitória de Lulaveja.abril.com.br

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