terça-feira, 27 de outubro de 2026
Congresso e STF

Quatro vagas no STF e seis no STJ: quem Lula pode nomear até 2031

Reeleito, Lula tem ao menos quatro cadeiras no STF e seis no STJ para preencher até 2031. Cada escolha precisa do aval do Senado, que já rejeitou Jorge Messias.

Por Redação Use a Lógica
Produzida com apoio de inteligência artificial, a partir das fontes listadas, com checagem e revisão automáticas.
6 min de leitura 4 fontes
Parcialmente confirmado

Parte das informações foi confirmada; o restante segue em apuração e está sinalizado no texto. O que checamos · Ver fontes · Como checamos

Foto noturna do prédio do Supremo Tribunal Federal, em Brasília, visto a partir do Palácio do Planalto
Sede do Supremo Tribunal Federal, em Brasília, onde Lula terá ao menos quatro vagas a preencher (foto de arquivo, 2025) Foto: Falcão Alado (CC BY-SA 4.0), via Wikimedia Commons

Reeleito, Lula (PT) inicia em janeiro de 2027 um mandato de quatro anos com duas frentes abertas no Judiciário: ao menos quatro cadeiras no Supremo Tribunal Federal (STF) e seis no Superior Tribunal de Justiça (STJ) a preencher até 2031. A checagem confirma o número de vagas e a exigência de aprovação do Senado para cada indicação. Não confirma, porém, quem serão os escolhidos, se todos passarão pelo crivo dos senadores, nem parte do cenário político e fiscal que acompanha a cobertura sobre o tema.

O que se confirma

A reeleição de Lula e o início do novo governo em janeiro de 2027 aparecem nas quatro fontes consultadas — CNN Brasil, g1, InfoMoney e Metrópoles. As três primeiras e o Metrópoles descrevem a mesma sequência: posse no começo de 2027, mandato até janeiro de 2031 e, no caminho, uma série de aposentadorias na cúpula do Judiciário.

No STF, a conta fechada por CNN Brasil, InfoMoney e Metrópoles aponta pelo menos quatro indicações: a cadeira de Luís Roberto Barroso, vaga desde sua aposentadoria, e as que se abrem com a aposentadoria compulsória de Luiz Fux, Cármen Lúcia e Gilmar Mendes, todas aos 75 anos. A Corte tem 11 ministros, e o indicado precisa ter mais de 35 e menos de 70 anos.

Vicentinho Júnior, de terno, em reunião da Comissão Mista de OrçamentoLeia tambémDá para confiar em tudo o que se diz sobre o novo governador do Tocantins?

No STJ, a projeção é de ao menos seis nomes, quase todos por aposentadoria compulsória, segundo a CNN Brasil e o Metrópoles. O tribunal é formado por 33 ministros; a primeira cadeira já está desocupada com a saída de Antonio Saldanha Palheiro, e a próxima saída prevista é a de Og Fernandes.

As duas fontes e o InfoMoney confirmam também a rejeição do advogado-geral da União, Jorge Messias, ao STF. O InfoMoney registra o placar da votação: 42 contrários e 34 favoráveis.

O que não está confirmado

Somente o g1 descreve o peso do bloco formado por PP, União Brasil, Republicanos, Podemos e Novo, que apoiou Flávio Bolsonaro no segundo turno e, segundo o veículo, soma 245 deputados e 51 senadores. Nenhuma outra fonte consultada traz esses números.

Também é exclusivo do g1 o detalhamento dos quóruns: 257 votos na Câmara para projeto de lei complementar e 308 para uma PEC; no Senado, 41 e 49, respectivamente. O mesmo veículo informa que as presidências da Câmara e do Senado serão disputadas em fevereiro de 2027 e que cabe a elas definir quais propostas entram na pauta.

A avaliação de que um Senado mais à direita tende a resistir mais às escolhas de Lula, com risco de novas derrotas, está na CNN Brasil e não foi corroborada pelas demais fontes. O g1, por sua vez, sustenta que a composição do Congresso aumenta a importância da negociação com esses partidos — ponto que também aparece sem confirmação independente na apuração.

Sobre a vaga de Barroso, o InfoMoney cita o ex-presidente do Senado Rodrigo Pacheco, hoje no TCU, como um dos nomes mais comentados em Brasília, sem confirmação do Planalto. O Metrópoles não menciona Pacheco. É ainda exclusiva do InfoMoney a afirmação de que a rejeição de Messias foi a primeira de um indicado ao STF desde o governo Floriano Peixoto, no fim do século XIX, e a lista dos quatro ministros em atividade indicados por Lula: Cármen Lúcia, Dias Toffoli, Cristiano Zanin e Flávio Dino. O mesmo veículo lembra que indicações presidenciais não garantem alinhamento, citando Joaquim Barbosa, nomeado por Lula e relator do mensalão.

O Metrópoles publicou que Lula defendeu uma reforma do Judiciário com mudança na forma de escolher ministros da Suprema Corte. Segundo o veículo, ele afirmou: “É preciso redefinir, inclusive como escolher um ministro para a Suprema Corte. Eu tenho a ideia de envolver a sociedade na escolha. Dar credibilidade ao poder Judiciário, sobretudo à Suprema Corte, que está hoje com a credibilidade muito baixa”. É o único veículo consultado que registra a fala.

As datas do STJ aparecem de formas diferentes. A CNN Brasil diz que Saldanha Palheiro deixou a cadeira em abril e que a saída de Og Fernandes está prevista para novembro. O Metrópoles informa que o primeiro completou 75 anos em 24 de abril de 2026 e o segundo em 26 de novembro de 2026. As duas descrições não coincidem: uma trata a saída de Og Fernandes como futura, a outra como já ocorrida pela idade.

CNN Brasil e Metrópoles divergem ainda sobre o caso do ministro Marco Buzzi: as reportagens tratam de uma condenação administrativa por assédio sexual e da possibilidade de uma sétima vaga no STJ, mas não há consenso sobre o estágio do processo nem sobre a validação da saída pelo STF. Nenhuma das fontes consultadas relata condenação na Justiça criminal, e a permanência dele no cargo segue indefinida.

Não encontramos registro nas fontes consultadas para outros três pontos que constam do material desta apuração: divergências internas no STF sobre a condução de investigações ligadas ao Banco Master e à divulgação de dados de inquéritos; o quadro fiscal segundo o qual 90% dos R$ 2,8 trilhões em despesas primárias de 2027 já estariam comprometidos; e a lista de promessas de campanha (ampliação do Bolsa Família, transporte público gratuito nos fins de semana, valorização do salário mínimo e mais investimento público), com a respectiva pressão sobre o Orçamento.

Contexto

A escolha de ministros do STF e do STJ é atribuição do presidente da República, mas o nome só passa a valer depois de sabatina e votação no Senado — o que dá aos senadores poder de veto, como ocorreu com Messias. A aposentadoria compulsória aos 75 anos é o que abre a maior parte das cadeiras nas duas cortes.

Para o advogado Luiz Gustavo Cunha, especialista em Direito Constitucional, o novo governo precisará “demonstrar habilidade para negociar uma agenda legislativa sem transformar divergências políticas em crises institucionais”, conforme o g1. Ele também afirmou:

“A utilização do Judiciário como instrumento para superar derrotas parlamentares pode até produzir resultados pontuais, mas tende a aprofundar o desgaste entre as instituições”

O que ainda não se sabe

Continuam em aberto os nomes que Lula levará ao STF e ao STJ, se o Senado aprovará as escolhas e qual será o desfecho do caso de Buzzi. Também não está definido o comando da Câmara e do Senado, que será disputado em fevereiro de 2027, nem a forma como o governo pretende conciliar as promessas de campanha com o espaço disponível no Orçamento. O grau de dificuldade de cada pauta prioritária no Congresso segue sem estimativa fechada.

O que checamos

Cada afirmação desta matéria foi conferida em fontes independentes antes da publicação.

6 confirmado7 só uma fonte1 versões divergem
  1. Confirmado

    Lula foi reeleito e terá um novo mandato de quatro anos, iniciado em janeiro de 2027.

    Fontes: CNN Brasil, g1, InfoMoney, Metrópoles · Reeleição confirmada por CNN, InfoMoney e Metrópoles; início em janeiro de 2027 citado pelo g1.
  2. Confirmado

    Lula poderá indicar ao menos quatro ministros ao STF até o fim do mandato, em janeiro de 2031.

    Fontes: CNN Brasil, InfoMoney, Metrópoles · Confirmado por CNN, InfoMoney e Metrópoles.
  3. Confirmado

    A conta das vagas no STF inclui a cadeira de Luís Roberto Barroso, aberta desde sua aposentadoria, e as aposentadorias compulsórias de Luiz Fux, Cármen Lúcia e Gilmar Mendes.

    Fontes: CNN Brasil, InfoMoney, Metrópoles · Todos os três veículos listam essas vagas.
  4. Confirmado

    Lula poderá indicar ao menos seis ministros ao STJ durante o mandato, principalmente por aposentadorias compulsórias por idade.

    Fontes: CNN Brasil, Metrópoles · CNN e Metrópoles confirmam o número.
  5. Confirmado

    No STJ, a primeira cadeira já está desocupada com a saída de Antonio Saldanha Palheiro, e a próxima saída prevista é a de Og Fernandes.

    Fontes: CNN Brasil, Metrópoles · Ambos citam as saídas; CNN diz 'primeira' e 'próxima'.

Fontes consultadas 4

  1. 1CNN BrasilEm novo mandato, Lula poderá indicar ao menos 6 ministros ao STJ e 4 ao STFcnnbrasil.com.br
  2. 2g1Lula enfrentará Congresso à direita, crise no STF e precisará conciliar promessas com economia no 4º mandatog1.globo.com
  3. 3InfoMoneyLula poderá indicar ao menos quatro ministros do STF no novo mandato; veja as vagasinfomoney.com.br
  4. 4MetrópolesReeleito, Lula poderá indicar 4 ministros ao STF e 6 ao STJmetropoles.com

Encontrou um erro? As correções são publicadas na própria matéria, com data e hora.

Compartilhe esta notícia

Debata esta notícia no fórum

Abra um tópico sobre o assunto e chame outros leitores para a conversa.

Criar tópico sobre esta notícia

Comentários

Mais de Política

Tudo de Política

Toda notícia aqui passa por checagem de fontes

Cruzamos pelo menos duas fontes independentes antes de afirmar algo como fato, e mostramos todas no fim de cada matéria.

  • Fontes listadas
  • Selo de verificação
  • Correções públicas
Entenda o método