domingo, 25 de outubro de 2026
Caso $LIBRA

A investigação contra Milei e a irmã está mesmo encerrada?

O arquivamento do inquérito contra Milei e Karina Milei está confirmado; a razão jurídica da decisão e os valores do colapso seguem sem confirmação.

Por Redação Use a Lógica · Atualizado
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Javier Milei, de terno, ao lado de Donald Trump em evento oficial
Presidente da Argentina, Javier Milei, em encontro com Donald Trump em outubro de 2025 (foto de arquivo, 2025) Foto: Casa Branca (Public domain), via Wikimedia Commons

A Justiça Federal da Argentina arquivou, em 23 de outubro de 2026, a investigação criminal sobre o lançamento e a divulgação da criptomoeda $LIBRA, que mirava o presidente Javier Milei e sua irmã, Karina Milei. O caso foi noticiado pela Folha de S.Paulo, pelo Valor Econômico e pelo R7. A checagem confirma o arquivamento e a autoridade que o determinou; não confirma, no entanto, o fundamento jurídico citado, os valores movimentados nem a extensão da decisão a outros investigados — pontos que aparecem em apenas um dos veículos consultados.

O que se confirma

Folha de S.Paulo e R7 registram, de forma independente, que o juiz federal Marcelo Martínez de Giorgi determinou o arquivamento do inquérito atendendo a um pedido do promotor Eduardo Taiano. As duas reportagens também coincidem em que o magistrado assumiu o caso em fevereiro de 2025, depois que a divulgação da moeda por Milei no X ganhou repercussão.

Os mesmos dois veículos confirmam o episódio que deu origem à investigação: Milei recomendou a pouco conhecida meme coin $LIBRA em publicação na rede social, o que provocou valorização rápida seguida de queda acentuada. Confirmam ainda que o presidente apagou a postagem e negou vínculo com a criptomoeda. A Folha registra que ele afirmou ter agido "de boa-fé"; o Valor reproduz que o ativo "incentivaria o crescimento da economia argentina" e financiaria "empreendimentos".

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O que não está confirmado

A explicação jurídica do arquivamento é o ponto mais frágil do noticiário até aqui. O Valor Econômico publicou que o juiz entendeu que a denúncia não se enquadra legalmente como estelionato. Nenhum dos outros dois veículos consultados reproduz esse fundamento, e as reportagens não trazem o texto da decisão. O arquivamento, portanto, está confirmado; a razão jurídica dele, não.

Também é exclusiva do Valor a informação de que a decisão beneficiou outras quatro pessoas além do presidente: Karina Milei, descrita como secretária-geral da Presidência; o empresário americano Hayden Mark Davis, que teria concebido a infraestrutura tecnológica da moeda; e dois empresários argentinos que participaram do lançamento e intermediaram o contato entre Milei e o americano. Já o R7 informa que os documentos do processo não detalham quais condutas específicas atribuídas a Karina foram analisadas — ou seja, nenhuma fonte consultada descreve o que se investigava contra ela.

Os números do colapso vêm de uma única origem. O Valor, citando a AP, relata que o valor da LIBRA quase quintuplicou e depois despencou, com cerca de US$ 100 milhões retirados em poucas contas e 40 mil investidores afetados. O dado de que a conta de Milei no X tem 3,8 milhões de seguidores igualmente só aparece nesse veículo.

As versões sobre o objeto do inquérito divergem. Folha e R7 falam em apuração de possíveis fraudes no lançamento da moeda digital e na promoção feita pelo presidente. O Valor descreve uma ação sobre suposta má-fé de Milei na divulgação do ativo. As duas formulações não são equivalentes, e a checagem não encontrou elemento que permita descartar uma delas.

Contexto

A $LIBRA foi apresentada por Milei como uma meme coin capaz de impulsionar projetos privados e a economia argentina. Após o colapso do ativo, o presidente apagou a publicação e negou vínculo formal com o projeto. O inquérito foi assumido pelo magistrado em fevereiro de 2025, no rastro da repercussão negativa do episódio.

O arquivamento encerra, na esfera criminal federal, a apuração sobre a conduta do presidente e de sua irmã. Isso não equivale a uma declaração judicial de que não houve prejuízo a investidores: o que se decidiu, conforme as fontes, foi o arquivamento — e, segundo apenas um dos veículos, por falta de enquadramento como estelionato.

O que ainda não se sabe

Nenhuma das três reportagens informa se o arquivamento é definitivo ou se cabe recurso, nem quem poderia recorrer. Também não está claro quais acusações formais foram apresentadas e por quem: as fontes mencionam o pedido de arquivamento do promotor Taiano, mas não detalham a denúncia original nem seus autores.

Permanece em aberto, ainda, o que exatamente se atribuía a Karina Milei. Por fim, não há dados nas fontes sobre o impacto político do arquivamento no calendário eleitoral argentino; qualquer leitura nesse sentido seria projeção, não fato apurado.

Fontes consultadas 3

  1. 1Folha de S.PauloArgentina arquiva investigação contra Milei e irmã por escândalo com criptomoedawww1.folha.uol.com.br
  2. 2Valor EconômicoJustiça da Argentina encerra ação contra Milei sobre a criptomoeda LIBRAvalor.globo.com
  3. 3R7Justiça da Argentina arquiva investigação criminal contra Javier Milei e a irmã no caso da criptomoeda $LIBRAnoticias.r7.com

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