A investigação contra Milei e a irmã está mesmo encerrada?
O arquivamento do inquérito contra Milei e Karina Milei está confirmado; a razão jurídica da decisão e os valores do colapso seguem sem confirmação.
Informações confirmadas em 3 fontes independentes. O que checamos · Ver fontes · Como checamos

A Justiça Federal da Argentina arquivou, em 23 de outubro de 2026, a investigação criminal sobre o lançamento e a divulgação da criptomoeda $LIBRA, que mirava o presidente Javier Milei e sua irmã, Karina Milei. O caso foi noticiado pela Folha de S.Paulo, pelo Valor Econômico e pelo R7. A checagem confirma o arquivamento e a autoridade que o determinou; não confirma, no entanto, o fundamento jurídico citado, os valores movimentados nem a extensão da decisão a outros investigados — pontos que aparecem em apenas um dos veículos consultados.
O que se confirma
Folha de S.Paulo e R7 registram, de forma independente, que o juiz federal Marcelo Martínez de Giorgi determinou o arquivamento do inquérito atendendo a um pedido do promotor Eduardo Taiano. As duas reportagens também coincidem em que o magistrado assumiu o caso em fevereiro de 2025, depois que a divulgação da moeda por Milei no X ganhou repercussão.
Os mesmos dois veículos confirmam o episódio que deu origem à investigação: Milei recomendou a pouco conhecida meme coin $LIBRA em publicação na rede social, o que provocou valorização rápida seguida de queda acentuada. Confirmam ainda que o presidente apagou a postagem e negou vínculo com a criptomoeda. A Folha registra que ele afirmou ter agido "de boa-fé"; o Valor reproduz que o ativo "incentivaria o crescimento da economia argentina" e financiaria "empreendimentos".
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A explicação jurídica do arquivamento é o ponto mais frágil do noticiário até aqui. O Valor Econômico publicou que o juiz entendeu que a denúncia não se enquadra legalmente como estelionato. Nenhum dos outros dois veículos consultados reproduz esse fundamento, e as reportagens não trazem o texto da decisão. O arquivamento, portanto, está confirmado; a razão jurídica dele, não.
Também é exclusiva do Valor a informação de que a decisão beneficiou outras quatro pessoas além do presidente: Karina Milei, descrita como secretária-geral da Presidência; o empresário americano Hayden Mark Davis, que teria concebido a infraestrutura tecnológica da moeda; e dois empresários argentinos que participaram do lançamento e intermediaram o contato entre Milei e o americano. Já o R7 informa que os documentos do processo não detalham quais condutas específicas atribuídas a Karina foram analisadas — ou seja, nenhuma fonte consultada descreve o que se investigava contra ela.
Os números do colapso vêm de uma única origem. O Valor, citando a AP, relata que o valor da LIBRA quase quintuplicou e depois despencou, com cerca de US$ 100 milhões retirados em poucas contas e 40 mil investidores afetados. O dado de que a conta de Milei no X tem 3,8 milhões de seguidores igualmente só aparece nesse veículo.
As versões sobre o objeto do inquérito divergem. Folha e R7 falam em apuração de possíveis fraudes no lançamento da moeda digital e na promoção feita pelo presidente. O Valor descreve uma ação sobre suposta má-fé de Milei na divulgação do ativo. As duas formulações não são equivalentes, e a checagem não encontrou elemento que permita descartar uma delas.
Contexto
A $LIBRA foi apresentada por Milei como uma meme coin capaz de impulsionar projetos privados e a economia argentina. Após o colapso do ativo, o presidente apagou a publicação e negou vínculo formal com o projeto. O inquérito foi assumido pelo magistrado em fevereiro de 2025, no rastro da repercussão negativa do episódio.
O arquivamento encerra, na esfera criminal federal, a apuração sobre a conduta do presidente e de sua irmã. Isso não equivale a uma declaração judicial de que não houve prejuízo a investidores: o que se decidiu, conforme as fontes, foi o arquivamento — e, segundo apenas um dos veículos, por falta de enquadramento como estelionato.
O que ainda não se sabe
Nenhuma das três reportagens informa se o arquivamento é definitivo ou se cabe recurso, nem quem poderia recorrer. Também não está claro quais acusações formais foram apresentadas e por quem: as fontes mencionam o pedido de arquivamento do promotor Taiano, mas não detalham a denúncia original nem seus autores.
Permanece em aberto, ainda, o que exatamente se atribuía a Karina Milei. Por fim, não há dados nas fontes sobre o impacto político do arquivamento no calendário eleitoral argentino; qualquer leitura nesse sentido seria projeção, não fato apurado.
Fontes consultadas 3
- 1Folha de S.PauloArgentina arquiva investigação contra Milei e irmã por escândalo com criptomoedawww1.folha.uol.com.br
- 2Valor EconômicoJustiça da Argentina encerra ação contra Milei sobre a criptomoeda LIBRAvalor.globo.com
- 3R7Justiça da Argentina arquiva investigação criminal contra Javier Milei e a irmã no caso da criptomoeda $LIBRAnoticias.r7.com
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