É verdade que Moraes cancelou os passaportes de Willer Tomaz?
O ministro do STF quebrou sigilos, bloqueou até R$ 6 bilhões e cancelou os passaportes de Willer Tomaz, investigado por suspeita de lavagem em favor de Flávio Bolsonaro.
Informações confirmadas em 3 fontes independentes. O que checamos · Ver fontes · Como checamos

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, autorizou a quebra dos sigilos bancário, fiscal e cambial do advogado Willer Tomaz e de cinco empresas ligadas a ele, determinou o sequestro de bens móveis e imóveis com bloqueio de até R$ 6 bilhões e cancelou os passaportes do investigado. A decisão, que estaria sob sigilo, foi noticiada pela Gazeta do Povo e pelo Estadão. A checagem confirma o conjunto de medidas nos dois veículos, mas não encontrou explicação sobre como o valor foi calculado nem sobre o prazo do cancelamento dos passaportes.
O que se confirma
A quebra dos sigilos bancário, fiscal e cambial de Tomaz e das empresas Alcazar Holdings, Alcazar Brasil Ltda, Alcazar Holdings Unipessoal, Alcazar Global Holdings e Catedral - Holdings SGPS aparece tanto na Gazeta do Povo quanto no Estadão. Os dois veículos registram também a ordem para que os bancos enviem, em 24 horas, dados sobre contas e correntistas vinculados ao advogado e às suas empresas.
As duas reportagens confirmam ainda o bloqueio de bens móveis e imóveis, o sequestro de valores que chegam a R$ 6 bilhões, o cancelamento dos passaportes e a suspensão das atividades de todas as empresas do advogado. O caso corre em inquérito relatado por Moraes — o segundo aberto no STF contra Flávio Bolsonaro — e veio a público no dia 18.
Leia tambémDá para confiar nos resultados parciais do voto no exterior?O que se apura, segundo os dois veículos, é uma suspeita de lavagem de dinheiro em favor do senador e a hipótese de que ele usasse contas bancárias ligadas a Tomaz. Nenhum dos textos relata condenação, e o advogado é tratado como investigado.
Há confirmação nas duas fontes também sobre o episódio de agosto: Tomaz foi alvo de busca e apreensão na Operação Sem Desconto, que apura descontos indevidos em aposentadorias do INSS, e os agentes localizaram uma sala em um hangar de sua empresa de aviação usada para guardar dinheiro em espécie.
O que não está confirmado
A relação pessoal entre Tomaz e Flávio é descrita apenas pela Gazeta do Povo, que o apresenta como advogado e amigo do senador. A defesa do senador, ouvida por esse veículo, afirma que "a relação entre ele e o advogado se limita à amizade entre as famílias". Nenhuma outra fonte consultada trata do vínculo nesses termos.
Só o Estadão publicou o conteúdo de e-mails em que uma funcionária de Tomaz teria pedido a um banco o descredenciamento de Flávio do perfil de "usuário master" de uma das contas. A mesma reportagem traz a resposta da defesa do advogado, que nega movimentação do senador e classifica como falsa a informação sobre o "usuário master". Já a defesa do senador disse à Gazeta do Povo ser falsa a versão de conta compartilhada — ponto registrado por um único veículo.
A Gazeta do Povo atribui a "fontes a par do caso" a informação de que o material da PF incluiria registros de encontros, festas e reuniões, pagamentos de viagens e documentos pessoais achados no iCloud do advogado. O mesmo veículo, citando fontes e a Agência Brasil, afirma que as medidas teriam sido tomadas após a PF descobrir uma viagem de Tomaz a Miami. O Estadão não menciona a viagem como justificativa. Não há confirmação oficial para nenhuma das duas informações.
A alegação de que a decisão saiu a menos de 48 horas do segundo turno é da defesa de Tomaz, relatada pelo Estadão. A defesa sustenta que as determinações são "desproporcionais e escancaram uma *fishing expedition* em pleno período eleitoral" e que "o bloqueio de até R$ 6 bilhões é uma cifra aleatória, sem correspondência com seu patrimônio". As reportagens não informam o patrimônio do advogado nem o critério do valor.
Os dois veículos divergem em um detalhe de redação: a Gazeta do Povo fala em bloqueio de até R$ 6 bilhões, enquanto o Estadão trata a cifra como sequestro de R$ 6 bilhões, sem o "até". Nenhum dos textos explica a origem do número.
Contexto
Flávio Bolsonaro é senador em fim de mandato pelo Rio de Janeiro e candidato do PL à Presidência; é filho do ex-presidente Jair Bolsonaro. Ele já era alvo de investigação da Polícia Federal por suspeitas de corrupção quando o caso envolvendo o advogado veio a público.
As medidas cautelares foram adotadas em período eleitoral, argumento que a defesa do advogado usa para contestá-las. Não há, nas fontes consultadas, manifestação de Moraes, do STF ou da PF sobre o teor ou a motivação da decisão.
O que ainda não se sabe
- Como o valor de R$ 6 bilhões foi calculado — nenhuma das reportagens detalha a base do sequestro.
- Se o cancelamento dos passaportes tem prazo de validade e quais efeitos práticos produz além de impedir viagens.
- O teor completo da decisão, que estaria sob sigilo, e se a defesa já conseguiu acesso a ela.
- Se a medida terá desdobramento eleitoral na campanha de Flávio na véspera da votação — as fontes consultadas não avaliam o impacto.
O que checamos
Cada afirmação desta matéria foi conferida em fontes independentes antes da publicação.
- Confirmado
Moraes autorizou a quebra dos sigilos bancário, fiscal e cambial do advogado Willer Tomaz e de empresas como Alcazar Holdings, Alcazar Brasil Ltda, Alcazar Holdings Unipessoal, Alcazar Global Holdings e Catedral - Holdings SGPS.
Fontes: Gazeta do Povo, Estadão · Confirmado por Gazeta do Povo e Estadão; o Estadão não menciona sigilo cambial, mas a Gazeta do Povo o faz. - Confirmado
O ministro determinou o bloqueio de bens móveis e imóveis e o sequestro de até R$ 6 bilhões do advogado.
Fontes: Gazeta do Povo, Estadão · Ambas as fontes confirmam bloqueio/sequestro de R$ 6 bilhões; o Estadão detalha bens móveis e imóveis. - Confirmado
Moraes cancelou os passaportes de Willer Tomaz e suspendeu as atividades de todas as empresas dele.
Fontes: Gazeta do Povo, Estadão · Cancelamento de passaportes confirmado em ambas; suspensão das empresas apenas na Gazeta do Povo. - Confirmado
Foi determinado que os bancos enviem, em 24 horas, informações sobre contas e correntistas vinculados ao advogado e às suas empresas.
Fontes: Gazeta do Povo, Estadão · Gazeta do Povo menciona prazo de 24h; Estadão menciona correntistas; juntos sustentam a afirmação. - Só uma fonte
Willer Tomaz é advogado e amigo de Flávio Bolsonaro; a defesa do senador diz que a relação entre os dois se limita à amizade entre as famílias.
Fontes: Gazeta do Povo · Apenas a Gazeta do Povo afirma amizade e traz declaração da defesa do senador; o Estadão não menciona.
Fontes consultadas 3
- 1g1Flávio Bolsonaro: trajetória do filho de Bolsonaro, candidato à Presidência e investigado pela PFg1.globo.com
- 2Gazeta do PovoMoraes determina quebra sigilos e bloqueia R$ 6 bilhões de advogado ligado a Flávio Bolsonarogazetadopovo.com.br
- 3EstadãoMoraes bloqueia R$ 6 bilhões e cancela passaportes de advogado investigado com Flávio Bolsonaroestadao.com.br
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