Violência é mesmo a maior preocupação do eleitor?
Combate à violência (25%) e redução de impostos (24%) empatam tecnicamente como prioridade número 1. Os recortes por idade, região e eleitorado ainda carecem de confirmação.
Informações confirmadas em 2 fontes independentes. O que checamos · Ver fontes · Como checamos

Na véspera do segundo turno, marcado para 25 de outubro, a pesquisa Datafolha divulgada em 23 de outubro colocou o combate à violência no topo das preocupações do eleitorado: 25% dos entrevistados citaram o tema como prioridade número 1 do próximo presidente, em empate técnico com a diminuição de impostos, mencionada por 24%. O g1 e a Folha de S.Paulo publicaram o dado, e a checagem confirma tanto o percentual quanto o empate dentro da margem de erro de dois pontos. O que não se confirma são os recortes por idade, por eleitorado e por região, que aparecem em um único veículo. Os dois jornais também divergem sobre o número de pessoas ouvidas.
O que se confirma
Os dois veículos consultados registram o mesmo placar de prioridades em primeiro lugar:
- combater a violência: 25%;
- diminuir os impostos: 24%;
- gerar mais empregos: 17%;
- ações de educação: 17%;
- aumentar a renda: 8%;
- diminuir o endividamento: 5%;
- anistiar condenados pela tentativa de golpe: 2%;
- nenhuma prioridade: 1%; não sabe: 1%.
O método também é confirmado pelas duas fontes: margem de erro de dois pontos percentuais, nível de confiança de 95%, entrevistas entre 20 e 22 de outubro e registro no Tribunal Superior Eleitoral sob o código BR-09709/2026. A encomenda é da Globo e da Folha de S.Paulo — o g1 escreve "Globo e Folha de S.Paulo", e a Folha registra "Folha e TV Globo", formulações diferentes para a mesma parceria.
Leia tambémAs regras de votação que circulam sobre este domingo são confiáveis?O que não está confirmado
A leitura mais favorável ao tema da violência vem de uma só fonte. A Folha de S.Paulo publicou que, quando o entrevistado podia indicar três prioridades, 69% incluíram o combate à violência em pelo menos uma delas, 60% citaram gerar emprego e 56% a diminuição de impostos. Nenhuma outra fonte consultada reproduz esses percentuais.
O mesmo ocorre com os números sem ordem de importância: 35% para aumentar a renda, 21% para diminuir o endividamento e 8% para a anistia, todos registrados apenas pela Folha.
Os recortes por perfil aparecem somente no g1. Segundo o portal, a violência como prioridade número 1 é citada por 28% dos eleitores de 60 anos ou mais e por 17% dos jovens de 16 a 24 anos; e por 23% dos eleitores de Lula contra 28% dos de Flávio Bolsonaro. O g1 informa ainda que a redução de impostos é prioridade para 35% dos eleitores do candidato do PL e para 12% dos do petista, que a educação é prioridade para 25% dos lulistas (8% entre os de Flávio) e que gerar empregos é prioridade para 22% dos eleitores de Lula (12% entre os de Flávio). Não localizamos essas quebras em outra publicação.
O g1 também registra o cenário de intenção de voto: 47% para Flávio Bolsonaro, 46% para Lula, 5% de brancos e nulos e 2% de indecisos, o que resulta em 50% a 50% nos votos válidos. Nenhum outro veículo consultado confirma esses números.
Onde as versões divergem
As duas reportagens dão tamanhos diferentes para a amostra. O g1 informa 2.154 entrevistados de 16 anos ou mais; a Folha fala em 2.520 pessoas ouvidas em 154 cidades. Período e registro no TSE coincidem. As reportagens não explicam a diferença — se decorre de rodadas distintas ou de correção de informação.
Sobre a anistia, o g1 afirma que as menções somam 8%, enquanto a Folha registra 2% como prioridade número 1 e 8% sem considerar a ordem. Os números não são necessariamente incompatíveis, mas medem coisas diferentes.
Contexto
A pesquisa saiu dois dias antes da votação, com a disputa presidencial em empate técnico. Nas peças finais, os dois candidatos levaram propostas de segurança pública ao eleitor. Segundo a Folha, Flávio Bolsonaro tem apostado em medidas como a castração química de estupradores e o fim da obrigatoriedade de marcação de munições e da progressão de pena — o jornal relata que especialistas as avaliam como pouco eficazes ou contraproducentes, avaliação que não localizamos em outra fonte.
"Atenção, você aí, estuprador, abusador de mulher e de criança, vai ter castração química para você, para aprender a nunca mais tocar em uma mulher sem que ela queira"
A frase é de Flávio Bolsonaro, senador e candidato do PL. Lula, por sua vez, passou a defender a redução da maioridade penal para crimes hediondos, conforme a Folha. O presidente e candidato do PT declarou: "Meu pensamento, enquanto cidadão brasileiro, é que [para] todo e qualquer crime hediondo, eu sou a favor de reduzir a maioridade". A posição contrasta com o que ele próprio dizia em 2007: "Eu fico imaginando que se a gente aceitar a diminuição da maioridade penal para 16 anos, amanhã estarão pedindo para 15 [anos], depois para 10 [anos] e depois para 9 [anos]. Quem sabe um dia queiram [culpar] até o feto se souberem o que pode acontecer no futuro".
O que ainda não se sabe
As reportagens não detalham o perfil do eleitor que aponta a violência como prioridade por faixa de renda. Também não há informação sobre o lastro orçamentário das promessas de segurança feitas na reta final, nem sobre a existência de outras pesquisas recentes que confirmem o percentual de 25%.
Fica em aberto, ainda, a razão da diferença entre 2.154 e 2.520 entrevistados citada pelos dois veículos — ponto que só a divulgação do relatório completo da pesquisa ou um posicionamento do Datafolha pode esclarecer.
O que checamos
Cada afirmação desta matéria foi conferida em fontes independentes antes da publicação.
- Confirmado
Na pergunta sobre a prioridade número 1 do próximo presidente, combater a violência foi citada por 25% e diminuir impostos por 24%, empate técnico dentro da margem de erro de dois pontos.
Fontes: g1 Política, Folha de S.Paulo · Ambas as fontes confirmam os percentuais e o empate técnico. - Confirmado
As demais prioridades citadas em primeiro lugar foram gerar mais empregos (17%), ações de educação (17%), aumentar a renda (8%), diminuir o endividamento (5%) e anistiar condenados pela tentativa de golpe (2%); 1% disse nenhum e 1% não sabe.
Fontes: g1 Política, Folha de S.Paulo · Os percentuais das categorias aparecem nas duas fontes; a divisão entre 'nenhum' e 'não sabe' é detalhada apenas pelo g1, mas a Folha informa cerca de 2% para essas respostas combinadas. - Só uma fonte
Quando os entrevistados puderam escolher prioridades em primeiro, segundo e terceiro lugar, 69% incluíram o combate à violência em pelo menos uma das posições, 60% citaram gerar emprego e 56% a diminuição de impostos.
Fontes: Folha de S.Paulo · Apenas a Folha traz esses percentuais. - Só uma fonte
Sem considerar a ordem de importância, 35% citaram aumentar a renda, 21% diminuir o endividamento e 8% a anistia; cerca de 2% não souberam responder ou disseram que não deve haver prioridade.
Fontes: Folha de S.Paulo · Apenas a Folha traz esses dados. - Só uma fonte
O combate à violência como prioridade número 1 é mais citado entre eleitores de 60 anos ou mais (28%) do que entre jovens de 16 a 24 anos (17%).
Fontes: g1 Política · Apenas o g1 traz essa segmentação por idade.
Fontes consultadas 2
- 1g1 PolíticaDatafolha: 25% dizem que combater a violência deve ser a prioridade do presidente eleitog1.globo.com
- 2Folha de S.PauloDatafolha: Combate à violência lidera como prioridade de eleitores para presidente eleitowww1.folha.uol.com.br
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