A urna sorteada para auditoria é a mesma que o eleitor usa?
No teste de integridade, a urna sorteada sai da seção, vai sob escolta para a auditoria e é trocada por uma de contingência; o procedimento é público e gravado.
Informações confirmadas em 3 fontes independentes. O que checamos · Ver fontes · Como checamos

Na véspera do 2º turno, os Tribunais Regionais Eleitorais realizam neste sábado cerimônias públicas para sortear as urnas eletrônicas que serão auditadas no domingo. Parte delas passa pelo teste de integridade; outra parte, pelo teste de autenticidade. A checagem confirma o procedimento, o mecanismo do teste e o caráter público da auditoria em ao menos duas fontes independentes — mas não confirma a proporção das urnas sorteadas em relação ao total de cada estado nem o alcance técnico dessa amostragem.
O que se confirma
O sorteio das urnas que serão auditadas está previsto nas normas da Justiça Eleitoral e ocorre em cerimônia aberta. É o que relatam o g1 e o Metrópoles.
O teste de integridade é uma votação simulada. Cédulas de papel preenchidas antes do pleito ficam guardadas em urnas de lona lacradas; no domingo, esses votos são digitados um a um nas máquinas sorteadas, e o resultado eletrônico é conferido com a contagem do papel. g1, CNN Brasil e Metrópoles descrevem o mesmo procedimento.
Leia tambémAs regras de votação que circulam sobre este domingo são confiáveis?As urnas escolhidas saem das seções de origem, seguem sob escolta até o local da auditoria e são substituídas por equipamentos de contingência, para que o eleitor vote normalmente, segundo a CNN Brasil e o Metrópoles.
A auditoria pode ser acompanhada por partidos, federações, coligações, entidades fiscalizadoras, imprensa e cidadãos, e é gravada em áudio e vídeo (CNN Brasil e Metrópoles). O teste de autenticidade verifica se o equipamento é legítimo e se o sistema instalado é o oficial, conforme g1 e Metrópoles. Antes da votação, cada urna emite a zerésima, que atesta não haver votos registrados no banco de dados (g1 e CNN Brasil).
O que não está confirmado
Os números por estado aparecem em uma única fonte cada. O g1 informa que o TRE-RJ sorteou 43 urnas — 31 para integridade, no Tribunal de Justiça do Rio, e 10 para autenticidade —, incluindo duas seções da FGV, em Botafogo, testadas com biometria, e uma de Itaguaí, onde há eleição suplementar para prefeito. Nenhuma outra fonte consultada confirma esses detalhes.
O Metrópoles publica que o TRE-DF selecionou 23 urnas: 20 para integridade (16 no Foyer do Plenário da CLDF, duas no TSE e duas com biometria na Escola Canadense de Brasília) e 3 para autenticidade. Também aqui só um veículo traz os números.
Outros pontos vêm de uma fonte isolada: a informação de que os votos da simulação não entram na apuração oficial (CNN Brasil); a de que o Boletim de Urna é emitido às 17h e deve coincidir com o papel (CNN Brasil); a de que o teste existe desde 2002 sem divergência registrada, segundo o secretário de Tecnologia da Informação do TSE (CNN Brasil); a de que houve duas inconsistências por erro de digitação na auditoria do 1º turno no DF, segundo o tribunal (Metrópoles); o transporte de mais de 40 mil urnas no RJ a partir de 29 polos, com escolta da PM (g1); e a de que cada turno é uma eleição independente (g1).
Sobre o teste de autenticidade, confirmamos apenas a definição. Não encontramos fonte que sustente que as urnas submetidas a esse teste permanecem nos colégios eleitorais e, sem falha, são usadas na eleição.
As versões também divergem em dois pontos. A CNN Brasil menciona a definição das urnas na véspera do "primeiro turno", embora a reportagem trate do 2º turno; g1 e Metrópoles situam o sorteio no sábado. O g1 afirma ainda que as seções poderiam ser sorteadas ou indicadas por partidos e entidades fiscalizadoras, enquanto as demais fontes descrevem apenas o sorteio previsto em norma.
Contexto
No teste de integridade, voluntários e representantes de partidos preenchem cédulas com votos nos candidatos que disputam a eleição antes do pleito; o material fica lacrado até domingo. O teste com biometria segue a mesma lógica, mas usa a digital de eleitores voluntários para liberar a urna. No DF, os testes começam no sábado e terminam com o fim da votação, com transmissão ao vivo pelas redes do TRE-DF e da CLDF (Metrópoles).
Sobre o tamanho da amostra, o contraste é evidente: só no Rio, segundo o g1, mais de 40 mil urnas foram transportadas para os locais de votação.
Quem acompanha o processo ouve versões institucionais de confiança total. O secretário de Tecnologia da Informação do TRE-RJ, Michel Kovacs, afirmou: "O código fonte é aberto desde 2004, muitas pessoas não sabem. Diversas entidades têm acesso, universidades, isso tudo é muito testado, verificado, pra chegar no dia da eleição a segurança estar atestada, estar tudo perfeito, e não há como dar errado". O presidente do TRE-DF, Angelo Passareli, disse: "Foram coisas demonstradas pelas imagens. Nós não tivemos um único equívoco, que não fosse humano". O juiz presidente da Comissão de Auditoria da Votação Eletrônica do TRE-DF, João Marcos Guimarães Silva, declarou: "Podem confiar no processo eleitoral. Ele é plenamente seguro. É impossível de erro".
O Metrópoles relata que a auditoria do 1º turno no DF identificou duas inconsistências causadas por erro de digitação, segundo o tribunal — episódio que o próprio TRE-DF atribui a falha humana.
O que ainda não se sabe
As três reportagens não informam quantas urnas cada estado terá no 2º turno, o que impede calcular a proporção exata da amostra auditada. Também não há lista completa das unidades da federação que já divulgaram as urnas sorteadas: apenas RJ e DF aparecem com detalhe.
Fica em aberto, ainda, o limite técnico do teste. As fontes descrevem a checagem como capaz de flagrar falhas de registro e de contagem, mas não esclarecem se ela alcançaria tentativas de fraude, nem como o tamanho da amostra afeta esse alcance. Não há informação, por fim, sobre qualquer mudança no cronograma de votação ou de apuração no domingo por causa do sorteio e da auditoria.
O que checamos
Cada afirmação desta matéria foi conferida em fontes independentes antes da publicação.
- Confirmado
Os TREs definem neste sábado, em cerimônias públicas, quais urnas eletrônicas serão auditadas no 2º turno, por meio de sorteio previsto nas normas da Justiça Eleitoral.
Fontes: g1, Metrópoles · Confirmado por g1 e Metrópoles; CNN Brasil tem título sobre 2º turno, mas corpo menciona 'primeiro turno', divergência interna. - Confirmado
As urnas escolhidas para o teste de integridade são retiradas das seções de origem, levadas sob escolta a locais de auditoria e substituídas por urnas de contingência para que os eleitores votem normalmente.
Fontes: CNN Brasil, Metrópoles · Remoção e substituição confirmadas por CNN e Metrópoles; escolta detalhada apenas pela CNN. - Confirmado
No teste de integridade, votos preenchidos previamente em cédulas de papel, guardadas em urnas de lona lacradas, são digitados um a um nas urnas selecionadas durante o horário de votação; ao final, o resultado eletrônico é comparado com a contagem do papel.
Fontes: g1, CNN Brasil, Metrópoles - Só uma fonte
Os votos usados na simulação não entram na apuração oficial.
Fontes: CNN Brasil · Afirmação presente apenas na CNN Brasil. - Confirmado
A auditoria é pública e pode ser acompanhada por partidos, federações, coligações, entidades fiscalizadoras, imprensa e cidadãos; o procedimento é gravado em áudio e vídeo.
Fontes: CNN Brasil, Metrópoles · Publicidade e gravação confirmadas; lista específica de entidades citada apenas pela CNN.
Fontes consultadas 3
- 1g1TRE sorteia 43 urnas que passarão por auditoria no 2º turno das eleições no RJg1.globo.com
- 2CNN BrasilTREs sorteiam neste sábado urnas que passarão por auditoria no 2º turnocnnbrasil.com.br
- 3MetrópolesTRE-DF sorteia urnas que passarão pelo teste de integridade no 2º turnometropoles.com
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