domingo, 25 de outubro de 2026
Eleições 2026

O vídeo em que Greta chama vitória de Flávio de desastre para o planeta é real?

Greta publicou o vídeo em 23 de outubro, dois dias antes do segundo turno, e a frase é confirmada. A reação das campanhas e o efeito sobre o eleitor não têm registro.

Por Redação Use a Lógica · Atualizado
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Retrato de Greta Thunberg, ativista ambiental sueca, em Estocolmo
A ativista ambiental Greta Thunberg em Estocolmo, em novembro de 2025 (foto de arquivo, 2025) Foto: Kushal Das (CC BY-SA 4.0), via Wikimedia Commons

A ativista ambiental sueca Greta Thunberg publicou na noite de sexta-feira (23) um vídeo em que classifica uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno como "desastre para todo o planeta". A gravação veio a público dois dias antes da votação marcada para 25 de outubro. O conteúdo da fala é confirmado por Poder360 e Metrópoles; a reação das campanhas, o alcance do endosso e o efeito sobre o eleitorado, porém, não aparecem em nenhuma das fontes consultadas.

O que se confirma

Os dois veículos descrevem o mesmo material: um vídeo publicado nas redes da ativista — o Poder360 especifica o Instagram e informa duração de 1min38s — em que ela liga a disputa brasileira à agenda climática global. A frase central foi registrada nas duas apurações.

"Não é segredo que, se Bolsonaro vencer, isso significaria um desastre para todo o planeta"

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O encerramento também é comum aos dois relatos: um apelo direto aos jovens brasileiros.

"Os olhos do mundo estão em vocês, e estamos contando com vocês para agir e protegê-lo"

As reportagens confirmam ainda que Greta afirmou que jovens de vários países, inclusive do Brasil, estão se organizando em defesa de direitos, e que a crítica à Meta foi feita no mesmo vídeo, sob a formulação de "interferência nas eleições com manipulação direta pela Meta". A empresa rebate: segundo Poder360 e Metrópoles, nega tratamento preferencial a qualquer posicionamento político e sustenta que eventuais falhas técnicas não representam direcionamento.

Na gravação, a ativista diz que a região vem sendo "comprada e explorada por potências estrangeiras ligadas a criminosos de guerra como Trump e Netanyahu". Trata-se de uma caracterização política feita por ela, reproduzida aqui como declaração, e que não corresponde a condenação judicial dos citados.

O que não está confirmado

A formulação de que a eleição brasileira "pode determinar o futuro do clima e do meio ambiente em todo o mundo" aparece apenas no Poder360. O Metrópoles não traz essa frase, e a checagem não a trata como fato.

Há divergência entre os dois relatos sobre a quem a ativista atribui a pressão sobre a Amazônia. O Poder360 publica que a floresta tem sido ameaçada pela "direita"; o Metrópoles registra "extrema-direita". As versões ficam lado a lado, sem que seja possível definir qual reproduz a fala original.

O quadro eleitoral vem de uma única fonte. O g1 Política informa empate técnico entre Lula (PT) e Flávio Bolsonaro, com vantagem numérica do candidato do PL, e aponta que as rodadas mais recentes de Quaest e Datafolha mostram redução da diferença. O mesmo veículo registra vantagem de 2,2 milhões de votos para Flávio no primeiro turno. Nenhuma outra fonte consultada confirma esses números.

A cartilha da campanha de Lula orientando apoiadores a conversar com eleitores idosos e levá-los às urnas é relatada apenas pela BBC News Brasil. Não há confirmação independente do documento nem de seu conteúdo.

O que é falso

Não se sustenta a versão de que eleitores com 70 anos ou mais — mais de 10% do eleitorado — tiveram abstenção de 49,1% em 2022, a maior entre todas as idades, conforme o TSE. A BBC News Brasil, única fonte sobre o tema, cita 17,2 milhões de pessoas nessa faixa etária, mas apresenta dois índices distintos de abstenção para o mesmo grupo: 49,1% em um trecho e 58,8% em outro. Sem consolidação do dado em tabela oficial, o percentual não pode ser repetido como fato.

Contexto

A declaração chegou às redes 48 horas antes do segundo turno, quando a disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro é descrita pelo g1 como empate técnico. Endossos estrangeiros costumam ganhar visibilidade justamente nesse intervalo, mas a relação entre repercussão e voto não é automática.

Greta tem histórico de manifestações sobre a Amazônia e sobre a política ambiental brasileira em anos anteriores, sempre com alcance internacional. O que as fontes consultadas não permitem medir é a tradução desse tipo de apoio em votos no Brasil.

O que ainda não se sabe

Não encontramos registro de resposta oficial das campanhas de Lula ou de Flávio Bolsonaro à declaração. Também não há dados sobre o alcance real do vídeo no eleitorado brasileiro, jovem ou ambientalista, nem pesquisas que meçam deslocamento de voto após a publicação.

As reportagens tratam de repercussão, não de checagem da fala por veículos de alta confiança. Ficam em aberto ainda a íntegra do vídeo, o histórico detalhado das declarações anteriores de Greta sobre o Brasil e a dimensão exata do eleitorado que esse tipo de endosso consegue mobilizar.

Fontes consultadas 4

  1. 1Poder360Greta Thunberg diz que Bolsonaro será desastre para o planetapoder360.com.br
  2. 2g1 PolíticaLula x Flávio Bolsonaro: o que vai decidir a eleição mais acirrada da história - O Assunto #1831g1.globo.com
  3. 3BBC News BrasilFlávio x Lula: o grupo de eleitores que pode decidir a eleição para presidentebbc.com
  4. 4MetrópolesGreta Thunberg diz que eleição de Flávio seria "desastre para o planeta"metropoles.com

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