Campanha de Flávio viu irregularidade no 'Exército do Lula'; o que as plataformas responderam
Meta, Google e X disseram ao TSE que não encontraram violação de políticas nem manipulação de buscas no canal, que não pode ser suspenso por decisão individual até o plenário analisar.
Informações confirmadas em 4 fontes independentes. O que checamos · Ver fontes · Como checamos

Meta, Google e X informaram ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que o canal "Exército do Lula", criado no WhatsApp para apoiar a campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, não viola suas políticas de conteúdo. As manifestações foram entregues após determinação do presidente do tribunal, Kassio Nunes Marques, que agiu a pedido da campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL). O caso discute os limites de decisões individuais de ministros do TSE sobre moderação de conteúdo político.
O canal é coordenado pelo deputado André Janones (Rede-MG) e reúne mais de 10 milhões de inscritos, segundo o g1 e a Exame. A estrutura serve para distribuir áudios, vídeos e orientações a apoiadores do presidente.
A campanha de Flávio Bolsonaro alegou indícios de descumprimento do plano de conformidade entregue pela Meta ao TSE e de manipulação de métricas de busca. As plataformas contestaram os dois pontos em suas respostas.
Leia tambémQuem são o apoiador e o homem conduzido por corrente no ato de Flávio?O que disseram as plataformas
A Meta afirmou que a análise do canal seguiu as diretrizes de canais e uma metodologia de detecção de conteúdo violador. "A análise do canal à luz das diretrizes de canais consta da declaração técnica anexa que constatou que não há violação das políticas, detalhando as políticas e metodologia para detecção de conteúdo violador", declarou a empresa, conforme a Agência Brasil.
Sobre a regra que veda coordenação no WhatsApp, a Meta sustentou que a proibição alcança atividades violentas ou criminosas. "A coordenação vedada é a de atividades violentas ou criminosas, e não a mobilização política lícita. Nenhuma dessas políticas trata como ilícita, em si, a mobilização de pessoas reais e identificadas, que o art. 28, § 6º-A, da Resolução nº23.610/2019 admite", afirmou, segundo o g1.
A empresa também argumentou ao TSE, conforme a VEJA, que "parte dos elementos indicados pelo Requerente (Flávio Bolsonaro) não é verificável ou está fora do escopo deste procedimento". Na avaliação da Meta, mobilização de apoiadores não configura infração desde que não envolva atividades ilícitas, conforme a Exame.
Buscas e hashtags
O Google informou ao TSE que não identificou manipulação nas tendências de busca ligadas ao canal. "Os indicadores de buscas orgânicas refletem, como regra, o interesse de pessoas reais, existindo políticas e sistemas destinados a detectar e coibir tráfego automatizado e tentativas de manipulação – hipóteses que, após análise pela equipe de segurança da Google, constatou-se não terem ocorrido", declarou a empresa, segundo a VEJA.
Já o X relatou, conforme a Exame, que 58 hashtags citadas na ação somaram cerca de 8,2 milhões de publicações, feitas por 475,9 mil contas, majoritariamente usuários brasileiros autênticos. Segundo a plataforma, não houve violação de suas políticas. O TSE apurava possível manipulação de buscas e ampliação artificial do alcance de hashtags entre 18 e 20 de outubro.
A Meta pediu cinco dias adicionais para concluir a análise, alegando que parte das provas estava em um dispositivo USB acessado apenas naquele dia, de acordo com a VEJA e a Exame.
Disputa entre ministros
Em 11 de outubro, Nunes Marques suspendeu o canal atendendo à campanha de Flávio Bolsonaro, sob alegação de replicação de conteúdos considerados inverídicos pelo tribunal, conforme a Agência Brasil. O corregedor-geral eleitoral, Ricardo Vilas Bôas Cuêva, derrubou a suspensão, e Nunes Marques depois liberou o canal após registro oficial no TSE.
O ministro Floriano de Azevedo Marques decidiu então que o canal não poderá ser suspenso ou restringido novamente por decisões individuais de membros do TSE. A medida vale até que o plenário se manifeste em processo judicial.
Na prática, a decisão impede o uso das atribuições administrativas da Presidência do TSE para tirar o canal do ar. Uma nova restrição, porém, ainda pode ser determinada em processo judicial até o julgamento pelo plenário.
O que falta esclarecer
A Meta ainda não concluiu a análise de todas as provas do processo. Não há informação sobre decisão do plenário do TSE a respeito do funcionamento do canal, nem sobre eventual restrição em outras plataformas além do WhatsApp.
Também não está detalhado o conteúdo específico das publicações que o tribunal classificou como inverídicas. O caso deve servir de referência para a moderação de conteúdo político por plataformas nas próximas eleições.
O que checamos
Cada afirmação desta matéria foi conferida em fontes independentes antes da publicação.
- Confirmado
A Meta afirmou ao TSE que análise técnica do canal 'Exército do Lula' não encontrou violação de suas políticas, com base nas diretrizes de canais e em metodologia de detecção de conteúdo violador.
Fontes: Agência Brasil, g1 Política, VEJA, Exame · Confirmado por Agência Brasil, g1, VEJA e Exame. - Confirmado
O canal 'Exército do Lula' foi criado no WhatsApp para compartilhar áudios, vídeos e orientações a apoiadores de Lula e é coordenado pelo deputado André Janones (Rede-MG), com mais de 10 milhões de inscritos.
Fontes: g1 Política, Exame · g1 e Exame confirmam a coordenação por Janones e o número de inscritos; VEJA também cita os 10 milhões. - Confirmado
A manifestação da Meta foi solicitada pelo presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, após pedido da campanha de Flávio Bolsonaro (PL), que alegou indícios de descumprimento do plano de conformidade entregue ao TSE e de manipulação de métricas de busca.
Fontes: Agência Brasil, g1 Política, VEJA · Confirmado por Agência Brasil, g1 e VEJA. - Confirmado
O Google informou ao TSE que não houve manipulação das tendências de busca relacionadas ao canal e que seus sistemas não detectaram tráfego automatizado ou tentativas de manipulação.
Fontes: VEJA, Exame · Confirmado por VEJA e Exame. - Só uma fonte
O X relatou que 58 hashtags mencionadas na ação somaram cerca de 8,2 milhões de publicações feitas por 475,9 mil contas, majoritariamente usuários brasileiros autênticos, sem violação de suas políticas.
Fontes: Exame · Apenas a Exame traz os números do X; atribuir a ela se publicar.
Fontes consultadas 4
- 1Agência BrasilMeta diz ao TSE que Exército do Lula não viola políticas da plataformaagenciabrasil.ebc.com.br
- 2g1 PolíticaMeta diz que canal 'Exército do Lula' não viola políticas da empresag1.globo.com
- 3VEJAA resposta do Google e da Meta a Nunes Marques sobre o ‘Exército do Lula’veja.abril.com.br
- 4ExameMeta, Google e X diz ao TSE que não há irregularidades no canal ‘Exército do Lula’ no WhatsAppexame.com
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