domingo, 25 de outubro de 2026
Eleições 2026

Os sistemas eleitorais estão mesmo blindados contra interferência?

A conferência atestou que os programas lacrados são os mesmos fiscalizados e que o código não foi alterado; as garantias anunciadas vão além do que foi conferido.

Por Redação Use a Lógica · Atualizado
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Retrato do ministro Kassio Nunes Marques, de terno e gravata
Ministro Kassio Nunes Marques, presidente do TSE, em fevereiro de 2025 (foto de arquivo, 2025) Foto: TSE - Tribunal Superior Eleitoral (Public domain), via Wikimedia Commons

A dois dias do segundo turno, o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, afirmou que os sistemas eleitorais estão preparados, autênticos e protegidos contra interferência externa e que cada voto será registrado e totalizado com integridade. A declaração foi feita na cerimônia de verificação e lacração dos programas usados na votação. A checagem confirma, em três veículos independentes, que os programas conferidos são os mesmos inspecionados por entidades fiscalizadoras e lacrados; não confirma toda a extensão das garantias anunciadas e não encontrou registro de ataques aos sistemas nem de reações das campanhas.

O que se confirma

CNN Brasil, g1 e Metrópoles registram a mesma afirmação central do ministro, de que os sistemas estão prontos, autênticos e blindados. O g1 reproduz a fala em que Nunes Marques se dirige diretamente ao eleitor:

"As cidadãs e os cidadãos do nosso país podem ter a mais absoluta e irrestrita certeza de que, ao comparecerem às seções eleitorais e pressionarem a tecla 'CONFIRMA', o seu voto será registrado, preservado e totalizado com total integridade e transparência. Os sistemas que acabamos de verificar estão prontos, autênticos e blindados contra qualquer ingerência indevida"

Urna eletrônica brasileira modelo UE2020 em close, com teclado numérico e telaLeia tambémDá para confiar nos resultados parciais do voto no exterior?

Os três veículos confirmam o resultado da conferência técnica: a checagem de assinaturas digitais e resumos criptográficos indicou que nenhuma linha de programa foi alterada, omitida ou acrescentada. Confirmam também que a cerimônia atestou que os programas instalados nos computadores do tribunal são exatamente os que passaram por inspeção, receberam assinatura digital e foram lacrados.

"Os sistemas assim gerados e lacrados são os oficiais, testados e fiscalizados e, portanto, aptos a conduzirem com segurança as etapas técnicas das eleições brasileiras. A cerimônia de hoje confirma que são esses precisamente os sistemas instalados nos computadores do Tribunal Superior Eleitoral"

O g1 e o Metrópoles confirmam os quatro sistemas submetidos à verificação:

  • Transportador Web
  • Receptor de Arquivos de Urna (RecArquivos)
  • Informação de Arquivos de Urna (InfoArquivos)
  • Sistema de Gerenciamento da Totalização (Sistot)

Os dois veículos confirmam ainda que, ao fim da conferência, foi emitida a zerésima do banco de dados de totalização para presidente e vice-presidente, documento que atesta não haver votos computados antes da votação.

A CNN Brasil registra uma terceira fala do ministro, sobre o efeito institucional da cerimônia:

"Quando as instituições da República se unem para auditar, conferir e atestar a autenticidade dos sistemas, é a própria confiança pública que se fortalece, esvaziando narrativas desinformadoras e consolidando a estabilidade das nossas instituições republicanas"

O que não está confirmado

O g1 publicou que o ministro afirmou ser dever do TSE assegurar que cada voto depositado na urna seja registrado e apurado com exatidão e fidelidade. CNN Brasil e Metrópoles cobriram a mesma cerimônia, mas nenhuma outra fonte consultada reproduz essa formulação específica; o trecho aparece, portanto, como declaração atribuída a um único veículo.

A CNN Brasil informa que o Ciclo de Transparência Democrática foi aberto em 2 de outubro de 2025, com os códigos-fontes liberados para fiscalização por partidos e entidades, e que os sistemas das Eleições 2026 foram assinados e lacrados em 4 de setembro, com assinaturas de representantes do TSE, da OAB/DF, do Ministério Público Federal e do Confea. A mesma emissora relata que entidades fiscalizadoras subscreveram os relatórios técnicos da cerimônia. Nenhuma outra fonte consultada confirma esses pontos.

Já a informação de que o segundo turno ocorre neste domingo (25/10), com a escolha de presidente e vice-presidente, consta apenas do Metrópoles entre os textos analisados.

Os veículos também divergem na descrição do evento: a CNN Brasil o trata como "Cerimônia de Verificação da Integridade e Autenticidade dos Sistemas Instalados no TSE", enquanto g1 e Metrópoles o apresentam como cerimônia de assinatura digital e lacração dos sistemas.

Contexto

A cerimônia é aberta ao público e representa a etapa final de uma sequência de verificações da integridade dos programas de transmissão, recebimento e totalização de resultados. Segundo a CNN Brasil, os códigos-fontes estavam à disposição de partidos políticos e outras entidades desde outubro de 2025.

O que ainda não se sabe

Não encontramos, nas três reportagens consultadas, registro de tentativas de ataque ou de incidentes aos sistemas eleitorais nesta eleição. Também não localizamos reações das campanhas de Lula e de Flávio às declarações do presidente do TSE.

Os textos não detalham quais entidades estiveram presentes além das que assinaram os sistemas em setembro, não divulgam resultados numéricos ou estatísticos da verificação e não descrevem mecanismos de auditoria previstos especificamente para o segundo turno além da zerésima e da conferência dos programas. Essas são as lacunas que a apuração segue acompanhando até a votação.

Fontes consultadas 3

  1. 1CNN BrasilSistemas estão blindados, diz Nunes Marques após verificação no TSEcnnbrasil.com.br
  2. 2g1Presidente do TSE, Nunes Marques garante que cada voto será 'apurado com exatidão e fidelidade'g1.globo.com
  3. 3MetrópolesNunes Marques diz que sistemas eleitorais estão “blindados” contra fraudesmetropoles.com

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