domingo, 25 de outubro de 2026
Sigilo eleitoral

Acordo de sigilos entre Lula e Flávio existe, mas os dados não saíram

O acordo para abrir sigilos bancário, fiscal e telefônico dos dois candidatos existe. Mas o TSE decidiu que a divulgação é voluntária e não há registro de dados publicados.

Por Redação Use a Lógica · Atualizado
Produzida com apoio de inteligência artificial, a partir das fontes listadas, com checagem e revisão automáticas.
5 min de leitura 2 fontes
Verificado

Informações confirmadas em 2 fontes independentes. O que checamos · Ver fontes · Como checamos

Plenário do Tribunal Superior Eleitoral durante sessão, com ministros sentados à mesa
Sessão plenária do TSE, onde o relator André Mendonça decidiu sobre a divulgação dos sigilos (foto de arquivo, 2025) Foto: TSE - Tribunal Superior Eleitoral (Public domain), via Wikimedia Commons

A campanha do presidente Lula pediu ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que o relator, ministro André Mendonça, requisite ao Banco Central, às instituições financeiras, à Receita Federal e às operadoras de telefonia os dados previstos no acordo de abertura de sigilos firmado com a campanha de Flávio Bolsonaro — e os publique de uma só vez, em site público. O pedido foi apresentado na véspera do segundo turno, marcado para domingo, 25 de outubro. A checagem confirmou o teor do acordo e o conteúdo do pedido em duas fontes independentes; não encontrou, porém, registro de que qualquer das duas campanhas tenha efetivamente divulgado os dados. O relator já decidiu que a divulgação é voluntária, e o MP Eleitoral pediu a extinção da ação.

O que se confirma

O g1 e a InfoMoney confirmam que as duas campanhas firmaram um acordo prevendo a abertura imediata, total e simultânea dos sigilos bancário, fiscal e telefônico dos candidatos, alcançando também familiares e empresas. Os dois veículos também confirmam o pedido feito ao TSE: a campanha de Lula quer que o ministro requisite os dados aos órgãos citados e os divulgue simultaneamente no DivulgaCandContas ou em outra página pública.

O fundamento do pedido também aparece nas duas reportagens. A campanha sustenta que cabe ao Tribunal atuar como terceiro imparcial, para garantir fidelidade, integridade e simultaneidade das informações e evitar vazamentos seletivos. No documento entregue à Corte, a campanha escreveu:

Urna eletrônica brasileira modelo UE2020 em close, com teclado numérico e telaLeia tambémDá para confiar nos resultados parciais do voto no exterior?

“Não se pede que o Tribunal defina o que cada candidato divulga, pois isso as partes já acordaram. Pede-se que execute o acordo, como terceiro imparcial, para que a documentação chegue ao eleitor com fidelidade, integridade e ao mesmo tempo para ambos, e com absoluta confiança para o principal arbitro do pleito, sua Excelência, o eleitor brasileiro”

A decisão de Mendonça é o ponto pacificado da checagem. g1 e InfoMoney registram que ele negou a interferência da Justiça Eleitoral na escolha do que cada candidato divulga:

“De outra parte, no caso, não cabe à Justiça Eleitoral definir o que cada candidato quer ou não divulgar. O que se quiser divulgar é escolha de cada um, e avaliar essa escolha cabe ao eleitor”

O coordenador da campanha de Lula, Edinho Silva, disse ao g1 que a campanha recorre da decisão para que o ministro cumpra o papel de árbitro. “Nós não podemos abrir a possibilidade de alguém divulgar dados seletivos, escolher o que vai ser divulgado. Só há uma forma dessa seleção não existir: é o Poder Judiciário cumprir o seu papel.”

O que não está confirmado

O g1 informa que o acordo foi assinado pelo presidente Lula e por Maria Claudia Bucchianeri, coordenadora da equipe jurídica da campanha de Flávio Bolsonaro. Nenhuma outra fonte consultada confirma a assinatura nem a identidade dos signatários.

Já a movimentação do MP Eleitoral aparece apenas na InfoMoney. Segundo o veículo, o vice-procurador-geral eleitoral Alexandre Espinosa pediu a extinção da ação por falta de interesse jurídico, endossando a decisão do relator: “Como bem apontado pelo Ministro Relator, ‘não cabe à Justiça Eleitoral definir o que cada candidato quer ou não divulgar. O que se quiser divulgar é escolha de cada um, e avaliar essa escolha cabe ao eleitor’”. A mesma reportagem afirma, sem confirmação independente, que as duas campanhas entregaram novos documentos ao TSE após a decisão, sem abrir as informações ao público.

A reação da campanha de Flávio Bolsonaro também é atribuída a uma única fonte. A InfoMoney publicou que o entorno do candidato concordou com Mendonça — “Os sigilos individuais são disponíveis e cada um é livre para abrir o seu, independentemente de ordem judicial” — e pediu que Lula divulgue antes os gastos do cartão corporativo da Presidência. Nenhuma outra fonte consultada confirma o pedido.

O mesmo vale para a diferença entre as procurações: segundo a InfoMoney, as apresentadas pela campanha de Lula autorizam a divulgação imediata, enquanto as assinadas pelo entorno de Flávio condicionam a liberação a uma decisão judicial. A informação não foi confirmada em outra fonte.

A versão da campanha de Lula de que ela teria cumprido todas as condições impostas por Flávio — incluindo documentos sobre cartões corporativos, voos da FAB, dados do Instituto Lula e agendas — não foi sustentada por nenhum documento público localizado pela checagem. Da mesma forma, a afirmação de que a campanha de Flávio considera o tema superado e não pretende se manifestar de novo não encontra apoio em fonte independente.

Contexto

O acordo nasceu de um processo no TSE sobre a quebra de sigilos dos dois candidatos. A decisão de Mendonça veio na noite anterior ao pedido da campanha de Lula, e a manifestação do MP Eleitoral é posterior a ela. Com isso, as duas campanhas passaram a trocar acusações sobre quem descumpre o combinado, enquanto nenhuma delas abriu publicamente os dados até aqui.

O que ainda não se sabe

Não há confirmação de que o acordo tenha sido formalmente homologado pelo Tribunal. Também não foi divulgado prazo para que o relator analise o novo pedido da campanha de Lula, nem qual seria o efeito prático de uma decisão a menos de um dia da votação. A pergunta central segue aberta: se os dados serão ou não tornados públicos antes de domingo.

Fontes consultadas 2

  1. 1g1 PolíticaCampanha de Lula pede que TSE execute acordo de quebra de sigilo com Flávio Bolsonaro como um intermediador imparcialg1.globo.com
  2. 2InfoMoneyMP Eleitoral pede extinção de ação no TSE sobre abertura de sigilos de Flávio e Lulainfomoney.com.br

Encontrou um erro? As correções são publicadas na própria matéria, com data e hora.

Compartilhe esta notícia

Debata esta notícia no fórum

Abra um tópico sobre o assunto e chame outros leitores para a conversa.

Criar tópico sobre esta notícia

Comentários

Mais de Checagem

Tudo de Checagem

Toda notícia aqui passa por checagem de fontes

Cruzamos pelo menos duas fontes independentes antes de afirmar algo como fato, e mostramos todas no fim de cada matéria.

  • Fontes listadas
  • Selo de verificação
  • Correções públicas
Entenda o método